- A HRW divulgou relatório anual dizendo que o autoritarismo cresce em mais de 100 países, com EUA, Rússia e China no centro do problema.
- A organização afirma que o governo de Donald Trump contribuiu para esse cenário, golpeando a responsabilização do Estado e a independência de instituições.
- Acusações específicas incluem cortes de ajuda externa, ataques aos direitos das mulheres, restrição do aborto, desproteção de pessoas trans e intersexo, e violação de privacidade.
- A HRW critica a política externa dos EUA, incluindo uso de força pelo serviço de imigração, expulsões e mortes em Minneapolis, além de ter deixado de apoiar o Conselho de Direitos Humanos da ONU e o Acordo de Paris.
- O relatório aponta que, no contexto global, democracias precisam se unir para preservar a ordem internacional baseada em regras, diante de uma recessão democrática e da influência de EUA e China.
A Human Rights Watch (HRW) divulgou seu relatório anual sobre Direitos Humanos, destacando um aumento do autoritarismo e do retrocesso das democracias em mais de 100 países. O documento aponta o papel de Donald Trump, do governo dos EUA, como fator relevante, além de citações recorrentes a China e Rússia.
Segundo a HRW, as salvaguardas globais estão sob ataque, com consequências para a ordem internacional baseada em regras. A organização afirma que o sistema de direitos humanos enfrenta riscos significativos e que é preciso criar alianças entre democracias para frear a hegemonia de práticas autoritárias.
Em especial, a HRW destaca ações da administração Trump, como queda da responsabilização governamental, ataques à independência judicial e redução de assistência social. O relatório também acusa desrespeito a ordens judiciais e cortes de direitos de saúde e proteção a grupos vulneráveis.
Para a HRW, a atuação externa dos EUA sob Trump ampliou a fragilidade da ordem global. A organização cita ainda pressões sobre a privacidade, restrições a liberdades civis e ataques a opositores, meios de comunicação e instituições da sociedade civil.
Recessão democrática
A HRW afirma que a atuação de Trump não é isolada, citando impactos que se estendem a outras frentes de poder global. China e Rússia são mencionadas como forças que tentam enfraquecer acordos multilaterais e regras internacionais, com consequências para populações ao redor do mundo.
No foco da Ucrânia, o relatório critica a forma como a gestão de Trump teria minimizado responsabilidades sobre violações de direitos humanos nesse território. A HRW aponta pressões para acordos que envolvam exploração de recursos e cedência de territórios.
O texto indica que movimentos internos não liberais também contribuíram para o enfraquecimento da liderança de quem defende direitos humanos. O medo de antagonizar grandes potências é citado como entrave à promoção da democracia.
De acordo com Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, a população global vive sob regimes autoritários em grande parte. A organização aponta que pouco mais de 70% das pessoas no mundo estão em sistemas de governo não democráticos, com Rússia e China entre os casos de menor liberdade.
Para enfrentar o cenário, a HRW convoca democracias a se unir e agir como uma força política e econômica capaz de defender direitos humanos em âmbito global, sem declarações ou compromissos apenas retóricos.
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