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ONU alerta sobre possível colapso financeiro iminente

Organização das Nações Unidas alerta para risco de colapso financeiro iminente devido a dívidas não pagas; caixa pode esgotar até julho se Estados não quitarem as contribuições

United Nations Secretary-General Antonio Guterres is seen on a screen as he speaks during a press conference outlining his priorities for 2026 at U.N. headquarters in New York City, U.S., January 29, 2026.
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  • O secretário-geral da ONU, António Guterres, alerta sobre risco de colapso financeiro da ONU por dívidas em atraso e regra que devolve recursos não usados.
  • Há um montante recorde de US$ 1,57 bilhão em dívidas pendentes do orçamento regular; os EUA respondem pela maior parte, cerca de US$ 2,19 bilhões.
  • Os EUA também devem US$ 2,4 bilhões em missões de paz atuais e passadas, mais US$ 43,6 milhões em tribunais da ONU; apenas 41 estados já pagaram o orçamento de 2026.
  • A ONU estima que pode ficar sem dinheiro até julho, agravada pela exigência de creditar valores não utilizados a estados, mesmo sem recebimento dos recursos.
  • O governo de Donald Trump, em meio a cortes de contribuição voluntária e retórica de reaproximação com a ONU, não confirmou se pagará e afirmou que a entidade gasta muito e precisa se reorganizar.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou sobre o risco de colapso financeiro da organização em meio a pagamentos atrasados e a uma regra orçamentária que exige devolver recursos não gastos. O aviso, feito de forma contundente, ocorre num momento em que os Estados Unidos, principal contribuinte, sinalizam recuo do multilateralismo.

Segundo a ONU, há um total recorde de 1,57 bilhão de dólares em dívidas vencidas do orçamento regular. A organização aponta que mais de 95% desse total é de origem norte-americana, com dívidas de 2,19 bilhões ao início de fevereiro. Além disso, a ONU registra 2,4 bilhões de dólares devidos a missões de paz e 43,6 milhões a tribunais vinculados.

Em 30 de dezembro, a Assembleia Geral aprovou 3,45 bilhões de dólares para o orçamento regular de 2026, destinando recursos para escritórios globais, salários, reuniões, desenvolvimento e direitos humanos. A ONU informou que os EUA não quitaram o orçamento regular no ano passado, devendo 827 milhões de dólares desse saldo, mais 767 milhões para 2026. Venezuela e México aparecem logo atrás em dívidas relativas ao orçamento.

O chamado de Guterres envolve um fluxo de caixa problemático que, segundo a ONU, poderia ser resolvido caso os estados-membros cumpram suas obrigações. A conjuntura ocorre em um momento de distanciamento de Washington de organizações multilaterais, com relatos de cortes de financiamento voluntário a agências da ONU e movimentos para reduzir a participação em organismos internacionais.

Entre as medidas de reforma em curso, a ONU criou a força-tarefa UN80 para cortar custos e aumentar eficiência. O orçamento regular aprovado para 2026 ficou aproximadamente 200 milhões de dólares acima da proposta do secretário-geral, mas 7% abaixo do montante aprovado para 2025.

Guterres também destacou a regra de crédito de dívidas não recebidas como um entrave: a exigir que o UN devolva centenas de milhões de dólares a estados anualmente, mesmo sem ter recebido esse dinheiro. A instituição tem reiterado a necessidade de reformar essa norma, que chamou de inadequada para a realidade financeira.

Sobre a posição do governo americano, Trump indicou, em entrevista, que poderia resolver o problema, sem confirmar se os EUA pagariam. Fontes oficiais norte-americanas não responderam se o país continuará a cumprir ou não seus compromissos com a ONU. Um diplomata da Estado disse que a ONU precisa reduzir desperdícios e reavaliar gastos, citando, entre outros itens, salários, benefícios e custos de reuniões.

A ONU indicou que, sem acesso a caixa, não há possibilidade de manter a plena realização de atividades essenciais, como reuniões, operações de campo e pagamento de pessoal. O órgão destacou que não possui poder de imprimir dinheiro ou tomar empréstimos como um governo, o que reforça a pressão por uma solução institucional para o endividamento e as tensões orçamentárias.

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