- As negociações entre EUA e Irã em Omã enfrentam ceticismo, com bagagem de cinco rodadas anteriores e metas ambiciosas de ambos os lados.
- Washington pode exigir concessões além do programa nuclear, como contenção de mísseis balísticos, apoio a grupos e repressão interna; Teerã busca sanções mais amplas em troca de volta de restrições.
- É provável que os iranianos usem o diálogo para conseguir alívio significativo de sanções, já que o programa nuclear está enfraquecido.
- O governo americano testou uma via criativa com a Venezuela: ação presidencial que reconheceu receitas de recursos naturais, mantendo as sanções e criando condições custodiadas para o dinheiro no Qatar.
- O modelo venezuelano, com contas custodiais e canais financeiros especiais, pode servir de base para um acordo com o Irã, mesmo sem repassar sanções, caso haja acordo político e econômico.
O que pode acontecer com as negociações EUA-Irã em Oman envolve perspectivas complexas. Uma leitura inicial mostra que os representantes de Washington e Teerã chegam para discutir o programa nuclear, sanções e questões regionais, com propostas que podem transformar o cenário econômico e estratégico. As negociações ocorrem num momento de alta tensão entre ambos os lados e em meio a sanções e pressões políticas internas.
De um lado, a gestão Trump busca avanços além do nuclear, incluindo restrições a mísseis balísticos, apoio a grupos de proxy e medidas de repressão doméstica. Do outro, autoridades iranianas pretendem reduzir sanções significativas em troca de limitações verificáveis ao programa nuclear. O objetivo é obter alívio econômico amplo sem abrir mão de prerrogativas nacionais.
Segundo analistas, as conversas chegam com histórico de cinco rodadas diplomáticas anteriores, marcadas por ataques de EUA e Israel. Além disso, há desconfiança mútua sobre a viabilidade de concessões rápidas, dado o estado da política interna de cada país. A discussão também envolve como estruturar compensações financeiras e controle de recursos.
Modelo venezuelano como referência
Em janeiro, o governo americano anunciou uma ação que concede status especial a receitas de recursos naturais da Venezuela, sem retirar sanções. O governo venezuelano, agora sob Maduro, mantém o controle formal das exportações de petróleo, com recursos financeiros custodialmente mantidos em contas no Qatar. O objetivo é evitar litígios diretos sobre sanções.
A medida venezuelana, segundo analistas, demonstra a capacidade do Tesouro dos EUA de criar canais financeiros especializados. A ideia é replicar, em grau controlado, mecanismos que permitam acesso a recursos sem uma renegociação ampla das sanções. O caso é visto como um precedente relevante para qualquer acordo com o Irã.
Implicações para Irã
Especialistas apontam que, mesmo com custodialização de ativos, o Irã enfrenta limitações de acesso a reservas e receitas de petróleo, impostas por sanções secundárias. Em 2023 houve diálogo limitado sobre uma via semelhante, com a intervenção dos EUA em contas no Qatar para cumprir acordos humanitários, mas sem liberação total de recursos.
Para Teerã, a pergunta central é se aceita ou não um modelo de gestão de recursos que se aproxime do que foi aplicado na Venezuela, ou se exige concessões mais substanciais. O resultado das negociações em Oman pode influenciar não apenas o nuclear, mas também o equilíbrio regional e o relacionamento econômico com os EUA.
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