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Chavismo promete amnistia urgente a manifestantes críticos ao governo

A Assembleia Nacional aprova amnistia ampla para protestos e críticas a autoridades desde mil novecentos e noventa e nove, com libertação imediata e extinção de processos

Cierre de campaña de la oposición, en Caracas, en julio de 2024.
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  • A Assembleia Nacional aprovou por unanimidade uma lei de amnistia com caráter de urgência, que prevê perdão imediato para pessoas detidas por protestos políticos, expressão de opiniões ou críticas afuncionários públicos desde 1º de janeiro de 1999, além da extinção de processos penais.
  • A medida prioriza presos por motivos políticos, prevê libertações imediatas e pode incluir a exoneração de antecedentes, com substituições de liberdade e a extinção de causas penais em curso.
  • O texto circulou em várias versões; a oposição afirma não ter a versão final e exige também medidas de reparação às vítimas.
  • Crimes graves continuam fora do perdão, como violação de direitos humanos, crimes de lesa humanidade, homicídio intencional, corrupção e tráfico de drogas.
  • O presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, sinalizou que o caminho da lei será cheio de obstáculos, enquanto o chavismo afirma que a medida visa reconciliação nacional e normalização da vida política.

O chavismo aprovou uma medida de amnistia com urgência destinada a libertar pessoas detidas por protestos políticos, expressão de opiniões e críticas a autoridades. A norma prevê perdão imediato e extinção de processos envolvendo tais causas desde 1º de janeiro de 1999, data em que o movimento chegou ao poder na Venezuela. A proposta chegou à Assembleia Nacional já em debate.

A votação ocorreu nesta quinta-feira e teve apoio unânime, apenas abrangendo a exposição de motivos no momento. Uma comissão parlamentar ficará responsável por discutir o texto completo, com prazos curtos e previsão de consultas públicas ao articulado. O presidente da Assembleia destacou a falta de tempo para etapas mais longas.

A medida é apresentada pelo governo como caminho para a reconciliação nacional e a normalização da vida política. Contudo, organizações de direitos humanos e setores da oposição contestam o alcance, apontando que podem haver exceções e lacunas de reparação às vítimas.

Alcance e condições da amnistía

O texto amplia o perdão a pessoas detidas por manifestações, expressão de opinião e veiculação de mensagens políticas, inclusive nas redes sociais, bem como a causas judiciais por perseguição política ou violação do devido processo. Beneficiários não reconhecem responsabilidade penal.

Priorização de libertação imediata recai sobre presos com natureza política, com outras medidas substitutivas previstas, como prisão domiciliar e liberdade condicional. A proposta exclui crimes de gravidade extrema, como violação de direitos humanos, crimes de lesa-humanidade, crimes de guerra, homicídio intencional, corrupção e tráfico de drogas.

Além da extinção de processos, o texto prevê a eliminação de antecedentes, restituição de bens apreendidos e a remoção de ordens de captura, alertas migratórios e notificações da Interpol, para facilitar o retorno de cidadãos no exterior.

Controvérsia e contexto

Críticos lembram que a amnistia não implica reconhecimento de responsabilidade e destacam a necessidade de medidas de reparação para as vítimas. Dados de organizações humanitárias apontam que centenas de presos políticos já deixaram de ser mantidos sob custódia nas últimas semanas, ainda que centenas permaneçam detidos.

O governo tem sido alvo de acusações internacionais de repressão durante anos de crise política, exílio e repressão. A proposta faz parte de uma ofensiva governista para buscar uma convivência política, embora a oposição tenha indicado resistência a aprovações do texto sem garantias adicionais de reparação.

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