- A invasão russa de 24 de fevereiro de 2022 levou homens ucranianos de várias idades às linhas de frente, muitos sem experiência em combate.
- Valentyn Polianskyi, 24, ex‑marine, vivenciou cativeiro na cidade de Mariupol e hoje trabalha para apoiar ex‑prisioneiros, descrevendo mudanças profundas na vida pessoal e na relação com a família.
- Henadii Udovenko, 53, construtor e líder militar, foi ferido em batalha em 2023 e perdeu a perna, retornando ao serviço; afirma que a guerra tornou homens comuns mais fortes e tem impacto nas relações em casa.
- Denys Monastyrskyy, 29, atirador de elite e instrutor, perdeu parte dos dedos em combate; relembra a ligação forte com o grupo de soldados e o peso emocional das perdas, incluindo o pai.
- Masi Nayyem, 41, advogado e refugiado afegão‑ucraniano, foi ferido na linha de frente, tornou-se fundador de uma ONG de defesa de veteranos e aponta dificuldades de relacionamento e de acesso a apoio psicológico após a guerra.
A invasão russa da Ucrânia levou homens de diversas idades aos frontes, muitos sem experiência de combate. O relato de cinco soldados mostra como a guerra alterou vidas, relações e rotinas. A experiência varia, mas o peso do conflito é comum.
Os relatos destacam deslocamentos, prisões, ferimentos e reconstrução de identidade. Em Mariupol, um jovem de 24 anos viveu o cerco, viu a cidade ser devastada e enfrentou a captura. Em Kyiv, um veterano de 53 anos passou a liderar comissões e a escrever para veterans. Em Donbas, um sniper de 29 descreve perdas profundas e uma vida de treino intenso. Em acampamentos de refugiados, um advogado de 41 lida com trauma e advocacy para combalados. Em Kyiv, um produtor de vídeo de 35 observa mudanças nas relações e na coragem de agir.
Perfil e transformações
Valentyn Polianskyi, 24, traz no currículo serista costureiro, poeta e ex-prisioneiro. Quando a invasão chegou, foi para Mariupol, onde a cidade foi cercada e bombardeada. Prisão russa ocorreu no 48º dia de guerra; ele descreve semanas de maus-tratos, fome e violência, que moldaram uma visão de mundo mais contida. Ao retornar, descobriu esposa e filho; a relação familiar ficou mais tensa, porém o engajamento com apoio a ex-prisioneiros se intensificou e ele mantém a prática de meditar e escrever para lidar com traumas.
Henadii Udovenko, 54 (53 em fontes), era empresário de construção antes da guerra e acabou liderando uma unidade. Enrolou-se no conflito no dia inicial e confirmou desejo de servir para testar limites. Foi atingido e perdeu uma perna, optando por retornar ao combate. A experiência reforçou laços com a esposa e destacou tensões entre homens jovens e mulheres no contexto de guerra. Udovenko afirma que o inimigo não é o povo russo, mas as forças que travam o conflito no front.
Denys Monastyrskyy, 29, apelido Quebec, é sniper veterano que perdeu parte de dois dedos por estilhaços. Em 2017 já havia sido ferido e requalificado como instrutor, voltando a treinar novos recrutas. O retorno ao serviço atual envolve perdas de amigos e uma visão de que a identidade de soldado se vincula ao grupo — uma família além do sangue. O relato aponta que relacionamentos se deterioram com a prolongação do conflito, e muitos casais enfrentam provas contínuas.
Masi Nayyem, 41, advogado de origem afegã e ucraniana, tornou-se defensor de veteranos após sofrer ferimentos que comprometeram visão e parte do cérebro em junho de 2022. No resgate, ele criou uma ONG para apoiar o direito dos combatentes e lutar por políticas de assistência. Enfrenta o desafio de manter relacionamentos estáveis, reconhecendo que a ausência prolongada de casa afeta a comunicação, e que o apoio psicológico ainda é limitado.
Alex Tomkin, 35, produtor de vídeo e DJ, vivia em Kyiv quando o conflito se intensificou. Em 2022 foi recrutado ao retornar de uma turnê; a experiência o transformou de modo a valorizar decisões rápidas e a importância de estar ao lado de seus companheiros. Observa como a distância de mulheres altera a percepção, gerando uma necessidade de reconstrução afetiva e de escolhas sólidas para relacionamentos no pós-conflito.
Desafios e impactos
Os relatos indicam que a guerra muda padrões de convivência familiar, com tensões entre vítimas e parceiros. A necessidade de convivência com trauma, a busca por apoio psicológico e a reconfiguração de identidades masculinas aparecem como temas recorrentes. Em comum, há o papel dos companheiros de batalha como rede de suporte.
Apesar das experiências distintas, todos destacam o peso emocional da war e a necessidade de reconfigurar vidas após o retorno ou a evacuação. Muitos seguem engajados em atividades cívicas, educação de jovens e suporte a colegas feridos, visando manter a resiliência coletiva da comunidade.
Os relatos apontam ainda que o cotidiano dos soldados envolve ajustamentos contínuos entre memória de guerra e vida civil. A relação com familiares e com a comunidade é frequentemente marcada por ciclos de distanciamento e reconexão, com impactos duradouros nas dinâmicas afetivas.
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