- Espanha acusou Pavel Durov de “espalhar mentiras” ao usar o Telegram para atacar planos do governo de proibir redes sociais para menores de 16 anos e responsabilizar plataformas por conteúdos danosos.
- Durov enviou uma mensagem em massa a usuários na Espanha, dizendo que as medidas podem transformar o país em um estado de vigilância e rastrear a identidade de cada usuário.
- O governo espanhol disse que a mensagem foi usada para erodir a confiança nas instituições e defende regulação de redes sociais e de aplicativos de mensagens.
- A tensão entre governos europeus e grandes empresas de tecnologia cresce, com Musk, Durov e governos trocando críticas públicas sobre regulamentação e privacidade online.
- A reportagem destaca ainda cenários semelhantes em outros países, como França e Austrália, com governos buscando reduzir dependência de soluções não europeias e aumentar controles sobre plataformas.
O governo espanhol acusou Pavel Durov de espalhar mentiras ao atacar as medidas propostas para regular plataformas sociais voltadas a menores de 16 anos. A reação veio após o fundador do Telegram usar o aplicativo para criticar o plano espanhol e exigir responsabilização de empresas de tecnologia por conteúdo considerado nocivo.
A mensagem foi enviada a todos os usuários do Telegram na Espanha na tarde de quarta-feira. Durov argumentou que as novas regras poderiam violar liberdades na internet, sinalizando risco de transformar o país em um estado de vigilância com o pretexto de proteção.
Segundo fontes do governo espanhol, a comunicação de Durov foi vista como tentativa de minar instituições democráticas e justificar a intervenção regulatória necessária em plataformas de mensagens e redes sociais.
O governo apontou que a proposta de verificação de idade obrigatória cria precedentes de rastreamento de identidades de usuários, o que pode comprometer o anonimato e ampliar a coleta de dados. Também afirmou que responsabilizar executivos por conteúdo ilegal ameaça censura excessiva.
A Espanha já enfrenta críticas de outros setores e associações da indústria por medidas que visam reduzir danos de conteúdos nocivos online. O debate envolve também a necessidade de regular plataformas para evitar abusos, incluindo crimes de menores.
Casos de uso de plataformas têm sido alvo de investigações internacionais, com registros de atividades criminosas em países como França, Espanha e Coreia do Sul. O Telegram é citado repetidamente como objeto de análise em ações judiciais anteriores.
Na terça-feira, autoridades francesas realizaram mandados na sede do X, de Elon Musk, e convocaram executivos para depor, no âmbito de apuração de supostos crimes cibernéticos. O registro gerou reação de Musk e de outras figuras ligadas a grandes empresas de tecnologia.
O Telegram emitiu nota reiterando que o chief executive não tem nada a esconder e que é injusto atribuir à plataforma a responsabilidade por abusos. O texto destacou atitude de proteção aos usuários sem preconceitos.
As tensões entre governos europeus e grandes nomes da tecnologia aumentam, com legisladores discutindo medidas mais rígidas. Países como França e Austrália avançam com regras sobre menores e uso de serviços digitais.
O tema inspira também ações de países de diferentes perfis, como a França que busca reduzir dependência de soluções não europeias e a Dinamarca, que incentiva o uso de software de código aberto em setores públicos.
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