- Estudantes muçulmanos bosníacos caminharam quatrocentos quilômetros do campus de Novi Pazar, no Sandzak, até Novi Sad, carregando uma bandeira sérvia para participar de protestos contra corrupção.
- O movimento chegou a Novi Sad durante um dos maiores e mais longos protestos na Sérvia em décadas, desencadeados pela queda do telhado de uma estação de trem que matou dezesseis pessoas há um ano.
- Os protestos uniram sérvios de diferentes etnias e faixas etárias, liderados por estudantes em várias cidades do país.
- Merima Avdic, usuária de hijab e representante da minoria bosníaco-muçulmana, afirmou ter se sentido parte da Sérvia ao chegar a Novi Sad, destacando o apoio recebido.
- Um momento simbólico ocorreu quando um homem de Kosjeric ofereceu a bandeira aos marcha, reforçando o sentimento de pertencimento; a Universidade de Novi Pazar encerrou um bloqueio de um ano após a troca do reitor.
Merima Avdic atravessou uma ponte sobre o Danúbio, em Novi Sad, com a bandeira séria em mãos, para apoiar uma das maiores manifestações dos últimos anos na Sérvia. A caminhada de mais de 400 km partiu de Novi Pazar, na região de Sandzak, em direção à cidade, a fim de participar do protesto.
O movimento contestou a resposta do governo ao desmoronamento de um telhado de uma estação ferroviária, ocorrido há um ano, que deixou 16 mortos. Os manifestantes pedem renúncia de autoridades e responsabilização por supostas falhas na fiscalização e na gestão de obras.
Os apoiadores vieram de diversas partes do país, incluindo a minoria bosníca muçulmana, que representa cerca de 4% da população. A iniciativa uniu estudantes de várias idades, em uma demonstração de mudança de clima político e cobrança por reformas.
A chegada de Avdic a Novi Sad
Ao chegar, Avdic revelou sentir pela primeira vez um senso de pertencimento pleno ao país. A participação dos estudantes foi acompanhada por pessoas que ofereceram simbolicamente bandeiras, reforçando a ideia de unidade entre grupos étnicos.
A universidade de Novi Pazar, fundada em 2007 e primeira no região, foi palco de protestos prolongados no último ano, com ocupação de prédios e resistência a medidas administrativas. O campus enfrentou suspensão de aulas e cortes de aquecimento durante o movimento.
A mobilização também ganhou destaque em outras cidades, com imagens de estudantes em trajes tradicionais circulando nas redes. Um símbolo recorrente foi a união entre jovens de diversas origens para exigir mudanças no governo.
Desdobramentos na região
Entre os relatos, familiares destacam o custo humano da luta cívica, com relatos de sacrifícios pessoais. A mobilização foi marcada por ações pacíficas, mas com forte pressão pública para transformação institucional e combate à corrupção.
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