- Governo argentino de Javier Milei criou um Escritório de Resposta Oficial e uma conta no X para desmentir o que classifica como mentiras da mídia.
- Milei publicou a primeira mensagem afirmando que a conta foi criada para desmentir ativamente a mentira e expor operações da mídia e da casta política.
- A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) disse estar preocupada, lembrando que o Estado não é árbitro da verdade pública e que a ferramenta pode virar mecanismo de vigilância.
- O primeiro caso envolvendo coberturas consideradas falsas envolveu uma matéria do Clarín sobre programa social do Ministério de Capital Humano.
- Relatórios de organizações internacionais, como a Human Rights Watch, apontam retórica hostil de Milei contra jornalistas; o governo já suspendeu publicações governamentais em veículos e fechou a agência de notícias Télam.
O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, anunciou nesta quinta-feira a criação de um Escritório de Resposta Oficial da República Argentina. A iniciativa é uma nova conta no X dedicada a desmentir o que o governo classifica como mentiras dos meios de comunicação contra a gestão.
A imprensa local descreve a medida como mais um capítulo do conflito entre o governo e parte da mídia. Milei já adotou protocolos de confronto, incluindo investigações judiciais e retórica agressiva, consolidando um estilo de oposição frontal aos veículos tradicionais.
A primeira postagem da conta explicou que o objetivo é desmentir ativamente mentiras, sinalizar falsidades e evidenciar operações da mídia e da casta política. O texto de apresentação reforça a ideia de combater desinformação com informações ao invés de censura.
Não há detalhes oficiais sobre o funcionamento da ferramenta, nem sobre quem administrará a conta ou se haverá uma estrutura governamental dedicada. O governo afirma que a missão não impõe um olhar único, mas ajuda os cidadãos a distinguir fatos de relatos.
A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas expressou preocupação com o formato oficial, destacando que o Estado é uma fonte de informação e não o árbitro da verdade pública. O grupo advertiu sobre riscos de vigilância excessiva.
O debate envolve casos de coberturas consideradas falsas, como reportagens de veículos nacionais sobre programas sociais. Relatórios de organizações internacionais já alertaram para a retórica hostil de Milei em relação a jornalistas.
Desde a posse, em dezembro de 2023, Milei tem criticado amplamente a imprensa e chegou a suspender a veiculação de ações do governo em veículos e a fechar a agência pública de notícias Télam. Diversos jornalistas já foram alvo de denúncias.
Como referência, autoridades norte-americanas sob a gestão de Donald Trump lançaram recentemente um portal para expor o que consideram fake news, em paralelo a iniciativas de transparência midiática com objetivos semelhantes.
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