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Barragem Renaissance na Etiópia desperta energia e ansiedade regionais

Inauguração do GERD reacende tensões no Nilo, com expectativa de energia regional e impactos sobre segurança hídrica downstream

Tigray Farmer, Ethiopia.
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  • A Grand Ethiopian Renaissance Dam (GERD) foi inaugurada em 9 de setembro de 2025, com comprimento de 1.780 metros e capacidade de 5.150 megawatts, sendo a maior hidrelétrica da África por capacidade.
  • O projeto, de cerca de 5 bilhões de dólares, teve financiamento predominante do governo etíope, com aportes de empréstimos e investimentos chineses.
  • A inauguração contou com a presença de presidentes de Djibuti, África do Sul, Somália e Quênia; o Quênia firmou acordo para comprar energia da usina ao longo de 25 anos.
  • O Egito, ausente na cerimônia, declarou que a construção viola a lei internacional e enviou carta ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas pedindo medidas contrárias, afirmando que a represa ameaça os seus recursos hídricos.
  • A expectativa é que a usina aumente o fornecimento de energia para a região, mas o Egito e o Sudão argumentam que a redução do fluxo pode comprometer a segurança alimentar e a estabilidade regional; ainda não está claro como parte da energia será destinada ao consumo interno.

O Grand Ethiopian Renaissance Dam (GERD) inaugurou-se em 9 de setembro de 2025. O projeto, com 1.780 metros de extensão e capacidade de 5.150 MW, é o maior hidrelétrica da África por capacidade. O valor total é estimado em US$ 5 bilhões, financiado principalmente pelo governo etíope, com apoio de empréstimos e investimentos chineses.

A cerimônia contou com a presença de chefes de estado de Djibouti, África do Sul, Somália e Quênia. O presidente do Quênia destacou que a obra demonstra a capacidade da África de empreender infraestrutura estratégica e reforçou a cooperação energética entre os países da região.

A ausência de representantes do Egito foi marcante. O governo egípcio classificou a construção como ilegal e encaminhou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU pedindo intervenção para cessar as ações unilaterais da Etiópia. O Egito sustenta que a barragem pode reduzir o fluxo de água do Nilo e afetar a segurança alimentar de seus 150 milhões de habitantes.

A relação entre Brasil? Desculpe. (Erro) Vamos aos impactos regionais: a gestão de energia envolve acordos com países vizinhos. Em 2022, Etiópia e Quênia assinaram um acordo de compra de energia, prevendo uma linha de transmissão de 500 kV que deverá abastecer o Quênia por décadas, com 200 MW nos três primeiros anos e incremento gradual até 400 MW.

Analistas destacam que a energia gerada não serve apenas à Etiópia. O comércio regional já contempla venda para Quênia, Sudão e Djibuti, com negociações em relação à Tanzânia. A cooperação regional faz parte de um plano continental para integração energética e estabilidade das redes elétricas.

Internamente, a Etiópia ainda enfrenta déficits. Mais de 90% das famílias dependem de biomassa para cozinhar, e metade da população não tem acesso confiável à eletricidade. Autoridades afirmam que a produção interna pode crescer com a venda externa de energia, financiam­do pela expansão de linhas de transmissão.

Pessoas de negócios veem oportunidades. Empreendedores locais apontam que energia mais barata pode impulsionar startups e a transição para mobilidade elétrica, com fabricantes locais de motos elétricas já em expansão. Ainda assim, especialistas alertam para a necessidade de atender ao consumo doméstico antes de grandes exportações.

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