- Casal que ficou num hotel em Shenzhen descobriu que suas cenas íntimas foram gravadas por uma câmera escondida e divulgadas em sites de “pornografia de câmera escondida”.
- A BBC investigou uma rede com transmissões ao vivo de câmeras em quartos de hotel, com vídeos disponíveis em Telegram; centenas de câmeras operavam em hotéis ao longo de dezoito meses.
- Um operador conhecido como “AKA” vendia acesso a transmissões por cerca de 450 yuans, com canais no Telegram que já chegaram a ter até dez mil membros.
- Mesmo com regras chinesas implementadas em abril para verificar câmeras ocultas, o material continuou circulando; a plataforma Telegram afirmou moderar conteúdos, mas houve poucos casos de remoção eficaz.
- Eric e Emily ficaram traumatizados; ONG RainLily ajuda vítimas a retirar imagens, enquanto as vítimas evitam hotéis e evitam usar esses serviços de Telegram.
A dupla Eric e Emily, hospedada em Shenzhen, na China, em 2023, descobriu que momentos íntimos do casal foram gravados por uma câmera escondida no quarto do hotel e divulgados a milhares de pessoas. O vídeo foi encontrado por Eric enquanto assistia a conteúdo adulto em um canal de redes sociais.
Poucos minutos após o início de um vídeo, ele reconheceu o casal passando pela suíte, guardando bolsas, e, mais tarde, tendo relação sexual. Três semanas antes, eles haviam ficado hospedados no hotel sem saber da vigilância. As imagens circulavam em canais de pornografia de câmera escondida.
Eles passaram a entender que a gravação havia sido publicada em Telegram, usado pelo público para acessar o conteúdo. A BBC apurou que sites e aplicativos promovem transmissões ao vivo de quartos de hotel, com câmeras que gravam e transmitem as ações em tempo real.
Como funciona esse esquema
Um dos operadores mais ativos, conhecido como AKA, vendia acessos a transmissões por cerca de 450 yuans mensais. Assinantes podiam escolher entre várias transmissões, retroceder e baixar vídeos arquivados. A exploração envolve várias camadas da cadeia de fornecimento.
A BBC mapeou canais no Telegram com até 10 mil membros e um acervo de milhares de vídeos, muitos gravados desde 2017 em quartos de hotel. Câmeras são instaladas em locais como ventilação, com feed transmitido aos assinantes.
A rede envolve, segundo apuração, donos das câmeras e operadores que gerenciam plataformas de transmissão. Em Zhengzhou, uma câmera foi localizada e desativada pela equipe de vídeo, que reportou o incidente em redes de inscritos.
Relevância e impacto
Especialistas afirmam que o interesse comercial por esse conteúdo cresce, apesar da ilegalidade na China. Organizações de apoio relatam dificuldade de remoção de material, especialmente em plataformas como Telegram, que não respondem prontamente a denúncias.
Eric e Emily relatam abalo emocional duradouro. Eles passaram a evitar hotéis e, periodicamente, verificam conteúdos suspeitos. A dupla não deseja voltar a conviver com a exposição pública de sua intimidade.
As autoridades chinesas adotaram medidas para restringir o uso de câmeras ocultas em hotéis, incluindo inspeções regulares. Ainda assim, o material continua a surgir em plataformas de compartilhamento, destacando falhas na remoção de conteúdo e na responsabilização de quem produz.
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