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Haiti entra em limbo político com o fim do mandato do governo de transição

Haiti entra em hiato político com o fim do mandato do Conselho Presidencial Transitório (CPT), sem substituição acordada, diante de violência e deslocamentos persistentes

Haitian security forces guard the Prime Minister's office and the headquarters of the Transitional Presidential Council (CPT), as the mandate of the transitional governing council, formed to curb gang violence and pave the way for long-delayed election, is set to end on February 7 with no succession plan in place, in Port-au-Prince, Haiti, February 6, 2026. REUTERS/Egeder Pq Fildor/File Photo
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  • O Haiti entrou em limbo político com o fim, em 7 de fevereiro, do mandato do Conselho Presidencial Transitional (CPT) sem um plano de sucessão.
  • O CPT, composto por nove membros, foi instalado em abril de 2024 após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry e tem uma presidência rotativa.
  • O período foi marcado pela deterioração da segurança, acusações de corrupção e disputas internas, incluindo tentativas de afastar o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aime.
  • Os Estados Unidos ameaçaram consequências sérias, impuseram sanções a cinco membros do CPT e confirmaram apoio à permanência de Fils-Aime; três navios de guerra dos EUA chegaram ao Porto-príncipe.
  • Ainda não há acordo sobre a estrutura que o substituirá; o país não realiza eleições desde 2016 e enfrenta deslocamentos internos de grande escala.

Haiti entrou em limbo político neste sábado, com o término do mandato do Conselho de Transição Presidencial (CPT) sem plano de sucesão. O CPT foi criado para frear o conflito entre gangues e viabilizar eleições atrasadas, mas não houve acordo sobre quem assume o poder após seu fim.

O CPT, composto por nove membros, foi instalado em abril de 2024 após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry. Ao longo de 2024 e 2025, o grupo teve um rodízio de presidentes, mantendo uma gestão transitória sem eleições.

Apesar de haver reconhecimento entre líderes civis e políticos de que o CPT deve sair do poder, não ficou definido quem chefiará o governo ou qual estrutura o substituirá. A ausência de uma linha de transmissão de poder alimenta o atraso institucional no país.

Contexto político

Em janeiro, membros do CPT sinalizaram a possibilidade de destituir o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aime, mas ações foram contidas após advertências dos EUA. Washington exigiu uma transição e impôs sanções a cinco integrantes do CPT.

O governo americano reiterou apoio à liderança de Fils-Aime para uma Haiti estável, próspera e livre. Na véspera, três navios de guerra dos EUA chegaram ao Porto de Port-au-Prince, destacando o compromisso com a segurança e a estabilidade haitianas.

Há consenso entre líderes haitianos de que o CPT deve se Dissolver, mas não houve acordo sobre o formato institucional que o substituirá. A discussão envolve propostas diversas, sem solução acordada até o momento.

Cenário de segurança

Porto e áreas de Port-au-Prince continuam marcados por atuação de gangues, o que dificulta a organização de eleições livres e justas. O país está sem presidente eleito desde o assassinato de Jovenel Moïse, em 2021, e o último mandato de senadores terminou há mais de três anos.

O deslocamento interno atingiu cerca de 1,4 milhão de pessoas até outubro, segundo dados da ONU, um aumento significativo desde o início do mandato do CPT. A organização busca ampliar a força de segurança internacional, com o objetivo de chegar a 5.500 militares até o verão, conforme planos apoiados pela ONU.

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