- A eleição de Bangladesh, marcada para 12 de fevereiro, é vista como a primeira desde 2009 em que a disputa pode ser competitiva, após décadas de domínio da ex-primeira-ministra Hasina.
- O Awami League (liga de Hasina) está banido, e o BNP é considerado favorito, disputando 292 das 300 cadeiras em jogo, com a Jamaat-e-Islami formando uma coalizão desafiadora.
- Um novo grupo de Gen Z—jovens com menos de 30 anos—abriu espaço na campanha, alinhando-se à Jamaat após não conseguir converter mobilização de rua em apoio eleitoral sólido.
- Analistas destacam que a votação pode redefinir o papel da China e da Índia na região, com o BNP potencialmente mais alinhado a New Delhi do que a Jamaat.
- Questões como corrupção, inflação e emprego dominam as preocupações dos eleitores, e a participação jovem pode influenciar o resultado, conforme pesquisas e expectativas.
O Bangladesh realiza nesta quinta-feira a sua eleição mais influenciada pela geração Z, marcando o que muitos veem como a primeira disputa competitiva desde 2009. O resultado pode redefinir o rumo do país, após anos de tensão política e abstenção da oposição.
O partido do governo, Awami League, liderado pela ex-primeira ministra Sheikh Hasina, está suspenso formalmente. O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) aparece como favorito, enfrentando uma aliança de Jamaat-e-Islami. Um grupo de jovens atores políticos, com menos de 30 anos, tenta conquistar espaço.
Analistas apontam que a votação de 12 de fevereiro é crucial para a estabilidade do país, que abriga 175 milhões de pessoas e depende fortemente do setor têxtil. A visão de curto prazo envolve manter a confiança de investidores diante de inflação e reservas em queda.
Cenário eleitoral
A campanha contrasta símbolos dos partidos: a “barca” da Awami League era dominante no passado; a “faixa” de BNP e a “balança” de Jamaat aparecem em bairros de Dhaka e cidades do interior. Estima-se que o Jamaat tenha a melhor performance desde 2014, mesmo sem vitória garantida.
Tarique Rahman, líder do BNP, afirma que o partido disputa 292 das 300 vagas disponíveis, com perspectiva de formar governo. As pesquisas indicam vantagem do BNP, mas há eleitores indecisos, sobretudo entre jovens de 18 a 25 anos.
Jamaat, por sua vez, busca ampliar a presença entre eleitores descontentes com a economia e a corrupção. A coalizão também se depara com a necessidade de conquistar apoio de regiões onde a influência de potências regionais é observada de perto.
Influência regional e economia
A eleição pode definir o alinhamento do país com China e Índia. Pequim tem aumentado sua presença desde o período anterior, quando Hasina era percebida como próxima da Índia. A influência de Nova Délhi é considerada menos determinante no momento.
Especialistas destacam que, caso Jamaat leve o governo, Bangladesh pode se aproximar de aliados regionais diferentes dos atuais. Já o BNP é visto como grupo com maior sintonia com a Índia, o que influencia avaliações estratégicas.
No atual cenário macroeconômico, Bangladesh enfrenta inflação alta, reservas em baixa e redução de investimentos. O país tem buscado financiamento externo, incluindo fundos de instituições internacionais, para sustentar o crescimento.
Vozes da juventude
Entre os eleitores jovens, 25% do eleitorado é estimado nessa faixa etária. O efeito desses votos pode ser determinante, pois a participação dos jovens vem sendo citada como fator de peso no desfecho eleitoral. Perguntas sobre corrupção e economia aparecem com frequência nas sondagens.
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