- Irã descarta renunciar ao enriquecimento de urânio, mesmo em caso de guerra, durante negociações com o governo dos Estados Unidos.
- Após a primeira rodada de conversações em Omã, Teerã e Washington disseram que pretendem manter o diálogo, com foco no programa nuclear iraniano e no direito civil do país à energia.
- Os Estados Unidos exigem um acordo mais amplo, que inclua limitações à capacidade balística do Irã e fim do apoio a grupos hostis a Israel; o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu que esses pontos entrem na negociação.
- O chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que o enriquecimento não será aberto mão, mesmo diante de guerra, e mencionou possíveis medidas de confiança em troca da suspensão de sanções.
- A situação regional segue tensa: a ONG HRANA aponta quase nove mil mortos em protestos e o Irã avisou que pode atacar bases americanas e bloquear o Estreito de Ormuz em caso de ataque.
O Irã afirmou que não renunciará ao enriquecimento de urânio, nem mesmo caso exista uma guerra com os Estados Unidos. A declaração foi feita durante as negociações com a administração de Donald Trump, em Omã, na sexta-feira e no domingo seguinte. O país diz defender o direito civil de desenvolver energia nuclear.
As conversas, consideradas positivas pela parte iraniana e pelos EUA, apontam para a continuidade do diálogo, ainda que persista a divergência sobre o alcance do acordo. Teerã insiste apenas sobre seu programa nuclear, enquanto defende o uso civil da energia. Washington busca um acordo mais amplo, com limitações a capacidades balísticas e fim de apoio a grupos hostis a Israel.
Diálogo e pressão internacional
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu apoio dos EUA para incluir nas negociações questões de defesa e de influência regional. O gabinete israelense informou que certos pontos deveriam constar do acordo.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que o enriquecimento não será aberto, mesmo diante de pressões por guerra. Ele sinalizou a possibilidade de medidas de confiança para avançar, desde que haja suspensão de sanções que prejudicam a economia iraniana.
Nos últimos dias, a gestão de Trump intensificou a presença militar no Golfo. Um porta-voz americano destacou que as negociações seguem com o apoio de aliados regionais, apesar das tensões.
Frentes em litígio e impactos no terreno
A relação entre Teerã e Washington permanece marcada por desconfianças desde que as negociações sobre o programa nuclear reacenderam, no ano passado, crises anteriores. O embargo internacional afetou a economia iraniana e alimentou a discussão sobre caminhos diplomáticos.
A visita do enviado dos EUA, Steve Witkoff, ao porta-aviões Abraham Lincoln, no Golfo, reforçou a mensagem de dissuasão. Ele esteve acompanhado por autoridades militares, em meio a declarações de que o objetivo é manter a pressão sem excluir o diálogo.
Desde janeiro, a repressão a protestos internos gerou críticas globais e impactos humanos significativos. A ONG HRANA aponta quase 7 mil mortos e mais de 50 mil detenções, números que moldam o cenário político interno e o tom das negociações externas.
Se verificar avanços, o Irã diz que avaliará sinais e decidirá sobre a continuidade das negociações. Em paralelo, o Irã afirmou que o desdobramento militar americano não o intimida, mantendo firme a posição em relação ao enriquecimento.
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