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Artista groenlandês Inuuteq Storch fala sobre Trump, viagens e museu fotográfico

Inuuteq Storch avalia o impacto de Trump na Groenlândia e segue buscando um museu de fotografia para preservar memória e cultura local

Left: Image from Inuuteq Storch’s *Soon Will Summer Be Over* (2023). Right: Inuuteq Storch Soon Will Summer Be Over: Courtesy of the artist and Wilson Saplana Gallery. Storch portrait: Kuutak Olsen
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  • O artista groenlandês Inuuteq Storch abre nova mostra no Hasselblad, após exposição em MoMA PS1, enquanto Donald Trump reitera interesse em Greenland.
  • Trump disse ter “definido a estrutura” de um possível acordo sobre Greenland, gerando incerteza entre moradores e artistas.
  • Storch trabalha com memória e vida cotidiana de Groenlândia, preservando imagens locais em séries como Keepers of the Ocean (2019) e Mirrored (2021).
  • A prática de arquivar é, para ele, ato político; já exibiu imagens de John Møller, o primeiro fotógrafo da Groenlândia, para dialogar com questões de colonialismo.
  • O sonho de Storch é criar um museu de fotografia groenlandês, com espaço para Møller e novos talentos, mesmo que a iniciativa leve tempo.

Inuuteq Storch, artista groenlandês conhecido internacionalmente por ocupar o pavilhão da Dinamarca na Bienal de Veneza 2024, abriu recentemente uma grande mostra no MoMA PS1, em Nova York. O momento coincide com novas falas de Donald Trump sobre a possível aquisição da Groenlândia, assunto que tem reverberado no país.

Storch, que prefere manter a pauta política distante, disse por telefone, de Hasselblad, Suécia, onde ocorre uma nova versão de sua exposição veneziana. O artista afirma que o tema provoca emoção, ainda que não seja surpreendente ver o interesse estrangeiro sobre a Groenlândia.

Contexto político e impacto local

O presidente americano intensificou, no início deste ano, a retórica sobre tomar a Groenlândia, tema que ganhou destaque após declarações recentes. Trump também sugeriu formar “o arcabouço de um acordo” sem detalhar etapas, gerando incertezas sobre o futuro político da região.

Para Storch, a percepção entre a comunidade local é de que a vida cotidiana pode mudar, embora muitos ainda valorizem a vida atual. O artista considera a preservação diária como base de sua prática fotográfica, que retrata tradições e interações de groenlandeses contemporâneos.

Obra, memória e ativismo

Entre as séries, destaca-se Keepers of the Ocean, com imagens de Sisimiut, e a documentação da história de Groenlândia ao lado de fotografias históricas de John Møller, o primeiro fotógrafo da região. Em Mirrored, ele dialoga imagens de Møller com suas próprias fotografias para discutir resistência e heranças coloniais.

A obra Soon Will Summer Be Over aborda a relação com o US Thule Air Base, mostrando zonas de conflito entre modernização e tradições de caça. As imagens trazem o peso histórico da presença norte-americana na região.

Trajetória e projetos

Storch estudou na Danish School of Art Photography e concluiu formação no International Center of Photography, em Nova York, em 2016, antes de retornar a Sisimiut. Ele mantém o foco em Greenland, buscando ampliar o alcance de suas histórias por meio de livros.

Entre os projetos em andamento estão What If You Were My Sabine? e Knight’s Hood Poems, com lançamento previsto para 2026, ambos explorando cultura, memória e linguagem visual groenlandesas. O objetivo é tornar suas narrativas acessíveis em espaços variados.

Sonho de um museu de fotografia groenlandês

O sonho de longo prazo de Storch é criar um museu de fotografia na Groenlândia, reunindo Møller e novas vozes locais. O projeto, segundo ele, seria educativo e fortalecedora da identidade cultural, com potencial de ampliar a circulação de fotógrafos groenlandeses.

Apesar da ambição, o artista reconhece que a realização pode levar tempo. Ainda assim, acredita que o processo já pode estimular mudanças na sociedade e na educação, fortalecendo o valor da memória visual do território.

Perspectiva e futuro

Storch observa que o tema groenlandês passou a ter presença mais forte no cenário internacional, o que, segundo ele, pode favorecer o turismo sem abrir mão da vida silenciosa que caracteriza a região. Ele permanece otimista quanto ao impacto de jovens artistas locais.

A entrevista indica um compromisso contínuo com a preservação da história e com a promoção de imagens que conectam o cotidiano groenlandês a uma audiência global, sem abrir mão da soberania cultural.

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