- O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos aceitou analisar 20 casos de cristãos estrangeiros, principalmente missionários, impedidos de retornar à Turquia por serem rotulados como ameaça à segurança nacional.
- Os processos envolvem pessoas que moravam legalmente no país há décadas e recebem apoio da ADF International; desde 2019, códigos internos de segurança, como N-82 e G-87, têm barrado retornos sem explicação formal.
- A ADF International informou que cerca de 160 trabalhadores estrangeiros —pastores, professores, obreiros e missionários— foram diretamente afetados, com centenas de pessoas impactadas no total.
- O TEDH comunicou os casos ao governo turco, que deverá apresentar explicações ao longo do processo; as medidas incluem impedir retorno após viagens ao exterior e negar vistos ou autorizações de residência.
- Entidades de direitos humanos dizem que o padrão de rotular missionários como ameaça à ordem pública não tem base em antecedentes e pode indicar discriminação contra cristãos na Turquia.
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) decidiu analisar 20 casos de cristãos estrangeiros impedidos de retornar à Turquia. A maioria envolve missionários que viviam legalmente no país há décadas e passaram a ser tratados como ameaça à segurança nacional. O TEDH abriu a análise com base em ações apoiadas pela ADF International.
Segundo a ONG, as barreiras foram impostas desde 2019 por códigos internos de segurança, como N-82 e G-87, aplicados após viagens ao exterior ou pela não renovação de vistos. Na prática, esses códigos impedem o retorno sem justificativa formal ou defesa adequada.
Cerca de 160 trabalhadores estrangeiros — pastores, professores, obreiros e missionários — foram diretamente afetados, junto de suas famílias. A ADF International estima que centenas de pessoas tenham sido impactadas por essas medidas, que também afetam comunidades locais.
Contexto e próximos passos
O TEDH comunicou oficialmente os casos ao governo turco, que deverá apresentar explicações durante o andamento do processo. A defesa sustenta que o culto pacífico e a participação comunitária não representam risco à segurança, mas aponta uso de dossiês não divulgados para justificar as expulsões.
Entre os afetados, estão Pam e Dave Wilson, que serviram na Turquia por quase 40 anos, Rachel e Mario Zalma, barrados após participarem de uma conferência, e o pastor David Byle, que viveu 19 anos no país. As medidas teriam separado famílias e enfraquecido igrejas locais.
Implicações legais e humanitárias
A ADF International reforça que o caso em análise conjunta pode indicar um padrão de discriminação religiosa. A organização sinaliza que governos não podem retirar direitos com base na fé, sem vias de defesa. As informações destacam impactos na liberdade religiosa e na proteção à vida familiar.
A avaliação do TEDH chega em meio a preocupações sobre violações de direitos previstos na Convenção Europeia dos Direitos Humanos. O desfecho poderá estabelecer jurisprudência sobre tratamento de crentes estrangeiros e direito a retornar a território de origem.
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