- A Unit 42 aponta possível operação de ciberespionagem ligada a interesses estatais asiáticos, mirando governos e infraestruturas críticas, incluindo o Brasil.
- Entre novembro e dezembro de 2025, houve escaneamento sistemático de ativos governamentais em 155 países; o Brasil, porém, diz não ter identificado tráfego anormal ou invasão.
- O Ministério de Minas e Energia afirma que, mesmo em caso de acesso indevido, não haveria exposição de informações classificadas ainda não publicadas e acionou as instâncias competentes para apurar o caso.
- O relatório destaca que o Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras e que as exportações desse mineral triplicaram no primeiro semestre de 2025; os EUA buscam diversificar fornecimentos.
- Além do Brasil, países da região foram monitorados; há indícios de compromimento de entidades governamentais na Bolívia, México, Panamá e Venezuela, com o MME mantendo monitoramento contínuo e medidas de segurança.
O Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil informou que não houve invasão aos seus sistemas nem tráfego anormal identificado em suas plataformas digitais. A declaração acompanha um relatório de uma empresa de segurança digital que aponta uma operação de ciberespionagem ligada a disputas por minerais críticos, as terras raras. A investigação envolve um grupo atribuído a interesses estatais asiáticos e observa ações em pelo menos 37 países nos últimos 12 meses.
Segundo a Unit 42, divisão de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, o grupo identificado como TGR-STA-1030 teria atuado contra governos e infraestruturas críticas. Entre novembro e dezembro de 2025, houve escaneamento sistemático em 155 países para localizar vulnerabilidades em redes estratégicas. No Brasil, o MME diz não ter constatado tentativas de invasão.
Contexto e desdobramentos
O relatório aponta que o Brasil é visto como um dos maiores detentores de reservas de terras raras, minerais estratégicos para tecnologia, energia e defesa. O documento destaca que as exportações desses minerais cresceram no primeiro semestre de 2025, em linha com planos ocidentais de diversificar fornecedores.
A investigação cita reuniões envolvendo autoridades e investidores estrangeiros: em outubro, o encarregado de negócios dos EUA no Brasil teve encontro com executivos do setor; em novembro, a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA investiu US$ 465 milhões na Serra Verde, produtora brasileira de terras raras. Tais movimentos são interpretados como tentativas de diversificar a cadeia de suprimentos global.
Medidas de segurança e contatos
O MME afirmou manter monitoramento contínuo de segurança, com tecnologias alinhadas a normas nacionais e internacionais e atualização da Política de Segurança da Informação conforme o Decreto 12.572/2025. Mesmo em um cenário de acesso indevido, o ministério sustenta que não haveria exposição de informações classificadas ou sensíveis ainda não tornadas públicas.
A pasta disse ter acionado instâncias competentes para reforçar a proteção cibernética e reiterou o compromisso com a transparência, a gestão profissional e a proteção das informações públicas. As autoridades ressaltaram que não houve divulgação de informações confidenciais.
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