- Bangladesh realiza eleição histórica, abrindo caminho para a democracia após a queda de Sheikh Hasina em 2024, impulsionada pela geração Z.
- Duas coalizões disputam o pleito; a Bangladesh Nationalist Party (BNP) e Jamaat‑e‑Islami encabeçam a disputa, enquanto o Awami League está banido e Hasina permanece no exílio, elevando a influência da China.
- Mais de 2.000 candidatos disputam 300 cadeiras no Parlamento; votação em um distrito foi adiada após a morte de um candidato; cerca de 50 partidos participam, em uma frente eleitoral recorde.
- Há referendo sobre reformas constitucionais, incluindo governo interino neutro, Parlamento bicameral, maior representação feminina, maior independência do judiciário e limite de dois mandatos para o primeiro‑ministro.
- Campanha majoritariamente pacífica, com a presença de mais de 100 mil militares para apoiar a polícia; expectativa de resultados até sexta‑feira pela manhã.
Bangladesh realiza nesta quinta-feira uma eleição marcada como marco para a democracia, após a destituição da premiê de longa data Sheikh Hasina em 2024, em uma revolta liderada pela geração Z. O pleito ocorre em um momento de instabilidade política e busca assegurar governança estável no país de cerca de 175 milhões de habitantes.
Analistas apontam que o resultado pode influenciar a continuidade da estabilidade econômica, principalmente no setor de confecção, importante exportador do país. A votação ocorre em meio a protestos que deixaram saldo de detenções e interrupções em várias áreas, sem registro de violência generalizada nas campanhas.
As eleições são disputadas por duas coligações lideradas pelo Banladesh Nationalist Party (BNP) e pelo Jamaat-e-Islami; a candidatura de Hasina não participa do pleito, já que seu partido está temporariamente proibido. O cenário abre espaço para ampliar a influência de China nas relações de Dhaka com Nova Délhi, diante de tensões com a Índia.
Ao todo, mais de 2 mil candidatos disputam 300 assentos na Jatiya Sangsad, o parlamento, com mais de 50 partidos concorrendo. Uma única seção eleitoral teve adiamento por morte de candidato. O país registra participação recorde de partidos em comparação a eleições anteriores.
Entre as propostas paralelas, está um referendo sobre reformas constitucionais, incluindo governo interino neutro para períodos eleitorais, parliament bicameral, maior participação feminina, independência do judiciário e teto de dois mandatos para o primeiro-ministro.
O pleito conta com reforço de segurança: mais de 100 mil militares auxiliam quase 200 mil policiais para manter a ordem durante o dia de votação, que começa às 7h30 e se encerra às 16h30. A apuração tem início logo após o fechamento, com projeções iniciais esperadas ao redor da meia-noite.
O corpo eleitoral envolve cerca de 128 milhões de cidadãos registrados, quase metade mulheres, com 83 candidatas entre as postulantes ao parlamento. Questões de corrupção e inflação aparecem como as mais citadas pelos eleitores em pesquisas recentes.
Entre os candidatos à chefia do governo estão Tarique Rahman, do BNP, e Shafiqur Rahman, líder do Jamaat, que não são parentes entre si. Ainda há indecisão entre parte do eleitorado, com alguns citando deslocamentos ou desânimo devido à proibição do partido de Hasina.
Votantes como Chan Mia relatam dificuldades de viajar de volta às áreas de origem para votar, enquanto outros, como Mohammad Sabuj, dizem que a participação é vista com ceticismo pela oposição. Já eleitores decididos destacam o direito ao voto como importante pela renovação democrática.
A cobertura eleitoral segue com divulgação de resultados esperados para sexta-feira pela manhã, conforme o órgão eleitoral. Especialistas destacam a importância de uma votação justa e de aceitação dos resultados por todas as partes envolvidas.
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