- Jibrin Abubaker, Fulani muçulmano, converteu-se ao cristianismo após ouvir um pastor em Jalingo, em setenta Taraba, durante uma viagem de negócios em 2000.
- A decisão causou expulsão da comunidade: perdeu família, casa, gado e tudo que possuía; sua esposa e três filhas foram levadas para o Islamismo.
- Abubakar enfrentou prisão e um julgamento na lei islâmica; recusou-se a renunciar à fé e fugiu para Jalingo com ajuda de membros da ECWA, onde encontrou refúgio por sete anos.
- Hoje, ele é pastor e líder de uma igreja de plantação em Kishi, estimulando o acolhimento de convertidos Fulani pelos cristãos e mantendo contato direto com a comunidade.
- O contexto envolve violência entre Fulani muçulmanos e agricultores cristãos, com poucos Fulani vivendo como cristãos (menos de 1%), e desafios de governança e radicalização que dificultam o acompanhamento pastoral.
A luta entre fé e identidade religiosa em Nigeria persiste, com relatos de conversões ao cristianismo entre comunidades Fulani gerando expulsões e violência. O caso de Jibrin Abubakar, que se converteu no início dos anos 2000 durante viagens de negócios, ilustra o peso social da mudança de fé entre grupos majoritários muçulmanos.
Abubakar, nascido em Daura, no estado de Katsina, era criado em uma família muçulmana de fazendeiros e pastores. A conversão começou após ouvir um pastor em Jalingo e conhecer cristãos que o apresentaram à fé. O processo envolveu resistência da comunidade, incluindo pressão familiar e isolamento social.
Contexto e riscos para convertidos
Ao optar pela fé cristã, Abubakar perdeu apoio comunitário. Sua família solicitou que ele retornasse ao islamismo, levando à separação de esposa e filhas, e à perda de bens como casas e gado. O episódio de violência contou com a participação de membros da sociedade Izala, associada a um movimento conservador dentro do islamismo.
Conflitos entre muçulmanos Fulani e agricultores em outras regiões amplificam o medo de perseguição. Relatos de ataques a aldeias cristãs e a percepção de que convertidos poderiam agir como informantes aumentam a desconfiança entre comunidades. Estudos e organizações de direitos humanos apontam que a maioria dos Fulani no país é muçulmana, com parcela pequena de cristãos.
Refúgio, apoio e os dilemas da integração
Abubakar foi perseguido, preso e submetido a interrogatórios em Daura, antes de buscar abrigo em Jalingo com o apoio de fiéis da ECWA, uma igreja evangélica. Sete anos depois, ele vive em Kishi, onde dirige um projeto de igreja plantada voltado a Fulani e Hausa, em meio a relatos de rejeição por parte de alguns cristãos diante da violência étnico-religiosa.
Membros da igreja e missionários destacam a importância de acolhimento e diálogo com comunidades Fulani convertidas, ressaltando que muitos veem a evangelização como caminho para reduzir conflitos. Líderes religiosos locais defendem que a igreja deve receber convertidos que buscam vida em comum com a comunidade cristã.
Perspectivas e desafios atuais
Organizações religiosas e missionárias ressaltam que a radicalização e a fraca resposta governamental agravam a violência. A mobilização para construir relações entre Fulani e cristãos é apresentada como estratégia para facilitar a convivência e a continuidade da missão evangelizadora. A situação dos convertidos ainda é marcada por insegurança e estigmatização.
Abubakar continua trabalhando como pastor e empreendedor missionário, mantendo atividades de relacionamento com comunidades de pastores, inclusive em atividades de tratamento de animais. O relato dele evidencia tanto a dor de perder laços familiares quanto a busca por uma rede de apoio que permita seguir adiante sem retorno à ilha de violência.
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