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Vencedor recebe prêmio em batatas

Brasil, México e Chile apoiam Bachelet para dirigir a ONU, em meio a grave crise orçamentária, impasse no Conselho e pressão por reformas

Abacaxi. Bachelet seria a primeira mulher a ocupar a secretaria-geral da organização. Guterres será lembrado pela apatia e a impotência no cargo – Imagem: Jean Marc Ferré/ONU, Manuel Elías/ONU e Ricardo Stuckert/PR
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  • Brasil, México e Chile anunciaram apoio conjunto a Michelle Bachelet para ocupar o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas.
  • Se eleita, ela enfrentaria a maior crise da história da ONU, com orçamento em dificuldade e 41 de 193 Estados membros inadimplentes, incluindo os Estados Unidos, que devem cerca de 2,2 bilhões de dólares.
  • O governo norte-americano tem manifestado desdém pela ONU, aumentando o risco de vandalizar o sistema multilateral existente desde a Segunda Guerra Mundial.
  • Potências europeias defendem o multilateralismo diante do desafio, com líderes como Emmanuel Macron destacando a importância de um marco civilizatório, enquanto Lula também defende o sistema internacional baseado no direito.
  • Mesmo com apoio político, a candidatura de Bachelet precisaria de votos na Assembleia-Geral e de vencer vetos dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, tornando a escolha incerta.

Michelle Bachelet recebeu apoio conjunto de Brasil, México e Chile para concorrer ao cargo de secretária-geral da ONU, anunciando no início de fevereiro uma candidatura para suceder António Guterres. A ex-presidente chilena integra o time de possíveis nomes para liderar a organização.

A ONU enfrenta grave crise financeira: 41 de 193 Estados membros estão inadimplentes, incluindo os EUA, com dívida estimada em 2,2 bilhões de dólares. Observa-se tendência de repelir o multilateralismo, enquanto o sistema internacional passa por tensões fiscais e políticas.

A candidatura de Bachelet é vista como uma resposta da esquerda latino-americana aos efeitos de baixo apoio ao multilateralismo. A opções é vista como oportunidade para reformas, com ênfase em defesa de direitos humanos e governança global.

Lula elogiou a experiência de Bachelet, destacando sua atuação como ex-presidente do Chile, alta comissionada de Direitos Humanos da ONU e diretora-executiva da ONU Mulheres. A defesa foca gestão de conflitos e cooperação internacional.

Entretanto, a escolha enfrenta resistências: Estados Unidos e China estariam entre fatores de atrito. Para aprovar o nome, é preciso maioria na Assembleia-Geral e, ainda, aprovação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, entre eles EUA e China.

Mesmo com votos favoráveis, a vitória pode chegar em meio a dificuldades financeiras da ONU. Analistas apontam que, independentemente de quem ocupe o cargo, o órgão deverá lidar com orçamento restrito e desafios jurídicos no campo do direito internacional.

Contexto internacional permanece marcado por críticas à atuação unilateral de grandes potências e pela busca de consensos para um marco multilateral mais estável. Países europeus reiteram apoio a um sistema baseado na cooperação entre nações.

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