- A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, rejeitou a ideia de “euro-basht” dos EUA e disse que a Europa não enfrenta erasure civilizacional.
- Ela afirmou que outros países ainda enxergam valores europeus como relevantes e citou que, em Canadá, mais de 40% dos entrevistados têm interesse em se juntar à UE.
- Kallas criticou críticas à liberdade de imprensa na Europa, destacando que a Estônia ocupa a segunda posição no índice global de liberdade de imprensa, enquanto os EUA ficam em 58º.
- A primeira-ministra da Ucrânia, não mencionada diretamente, foi alvo de questionamentos sobre a data de adesão; Kallas afirmou que 2027 seria irrealista para a UE oferecer a Ucrânia uma data de entrada.
- O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, destacou que a cooperação com a Europa depende de mudanças para aceitar liderança dos EUA em migração, livre comércio e maior gasto com defesa, durante discurso na conferência de Munique.
Kaja Kallas, chefe de política externa da União Europeia, rebateu nesta semana as críticas dos Estados Unidos de que a Europa enfrenta uma erasure civilizacional, chamando de “euro-bashing” fashion a postura de Washington. A fala ocorreu durante a Munich Security Conference, em meio a debates sobre a relação transatlântica, Nato e negociações de paz na Ucrânia.
Ela afirmou que os EUA reconhecem que não conseguem fechar a guerra na Ucrânia sem a participação e o consentimento europeu, sinalizando a necessidade de cooperação entre as partes. A declaração foi proferida no polo final da conferência, que reuniu líderes e autoridades de segurança para discutir o papel europeu na segurança global.
A reunião ocorreu em um momento de tensão entre Washington e Bruxelas, após um discurso do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que enfatizou liderança europeia em questões como migração, comércio e defesa, condicionando futuras parcerias à adoção de posições alinhadas aos EUA.
Contexto e reações
Kallas afirmou que o termo “euro-bashing” está se tornando comum, mesmo diante das contribuições positivas da Europa. Ela destacou que, ao viajar pelo mundo, percebe que muitos países valorizam o que a UE representa em termos de valores. A líder estoniana ressaltou ainda que a civilização europeia não enfrenta erasure, citando interesse de países como Canadá, onde haveria 40% de intenção de adesão à UE.
A chefe de política externa também contestou críticas americanas à liberdade de imprensa na Europa, observando que a Estônia ocupa a segunda posição no ranking global de liberdade de imprensa, enquanto os EUA aparecem na 58ª colocação. Ela afirmou que as ações da UE em defesa dos direitos humanos também promovem prosperidade para as populações.
Kallas reiterou sua posição firme de oposição à Rússia e disse não visualizar a UE pronta para definir uma data de adesão da Ucrânia à União. A projeção de entrada, sugerindo 2027, foi considerada irrealista pela dirigente.
Perspectivas diplomáticas
No dia anterior, Rubio havia apresentado uma proposta de parceria com condições claras, defendendo que a cooperação com a Europa é desejável, mas sob liderança norte-americana em áreas-chave. O secretário também viajou a Bratislava, na Eslováquia, para tratar de um relatório conjunto de agências de inteligência europeias sobre o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny.
As autoridades europeias não apresentaram o mesmo pacote de adesão de imediato, destacando que decisões de inteligência e atribuição de responsabilidades são tratadas de forma coordenada entre países parceiros. Observadores ressaltaram que o tom direto dos EUA reflete preocupações com o destino comum dos dois continentes.
A assessoria do governo britânico informou que a cooperação entre Reino Unido e Estados Unidos em matéria de inteligência permanece mais estreita do que nunca, mesmo diante de divergências em alguns temas de política externa.
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