- O bispo polonês Andrzej Jez, da diocese de Tarnów, foi a audiência hoje enfrentar acusações de atrasar o reporte de abusos sexuais de padres contra menores de 15 anos.
- Jez negou as acusações, afirmando ter informado a polícia nos casos dos dois padres; o processo tramita na corte distrital de Tarnów, no sul da Polônia.
- Caso seja condenado, ele pode pegar até três anos de prisão.
- O caso ocorre em meio a abalos na imagem da Igreja Católica na Polônia, país com forte tradição religiosa; em 2024, um bispo e um arcebispo renunciaram por negligência nesse tema.
- Pesquisas de opinião mostraram queda da confiança na Igreja Católica na Polônia: em 2025, 35% dos poloneses diziam confiar na instituição, contra 58% em 2016.
Andrzej Jez, bispo católico da diocese de Tarnów, no sul da Polônia, enfrentou nesta quarta-feira um processo por suposta demora em relatar abusos sexuais de menores cometidos por sacerdotes sob sua jurisdição. A denúncia afirma que ele não informou a polícia de imediato sobre casos envolvendo menores de 15 anos, configurando possível crime. Jez negou as acusações e alegou ter informado as autoridades nos dois casos.
O julgamento ocorreu no Tribunal Distrital de Tarnów, e Jez pode pegar até três anos de prisão caso seja considerado culpado. A audiência chamou atenção ao destacar a gravidade de atrasos na comunicação de abusos sexuais cometidos por membros do clero, prática que tem abalado a imagem da Igreja na Polônia.
A vítima citada pela reportagem, Lilianna Kupaj, relatou à imprensa que o processo representa o que chamou de primeiro ato de justiça. Kupaj declarou que foi abusada por um sacerdote da mesma diocese quando tinha oito anos, em depoimento feito fora do tribunal.
Jez sustentou que em ambos os casos houve comunicação à polícia e afirmou seu arrependimento pelas pessoas afetadas. A defesa ressaltou que o bispo cooperou com as investigações e que a conduta dele não se enquadra como omissão dolosa.
O caso ocorre em um contexto de crise institucional na Igreja no país. Em 2024, um bispo e um arcebispo já haviam deixado cargos por negligência no tratamento de denúncias de abuso. Pesquisas recentes indicam queda de confiança na Igreja entre a população polonesa desde 2016.
A decisão de Tarnów chega em meio a debates sobre a necessidade de medidas mais firmes para responsabilizar membros da hierarquia e aprimorar a proteção de menores. O veredito ainda não tem data, e o processo deve continuar com novas etapas investigativas e testemunhais.
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