- Irã voltou a sair às ruas nesta semana para homenagear os mortos nos protestos de janeiro, marcando 40 dias desde as mortes.
- Autoridades tentaram conter os atos e enviaram forças de segurança a cemitérios, promovendo cerimônias oficiais de 40 dias em várias regiões.
- Em Abdanan, no província Ilam, testemunhas disseram que a polícia abriu fogo contra centenas de enlutados em um cemitério.
- Houve relatos de confrontos similares em Mashhad e Hamadan; o acesso à internet foi restrito em algumas cidades.
- Os protestos de 40 dias lembram táticas da revolução de 1979, com slogans contra o líder supremo e críticas ao governo.
Irã volta às ruas para homenagear mortos pelas forças de segurança durante os protestos de janeiro, reacendendo repressões em tom semelhante ao da Revolução Iraniana de 1979. Milhares teriam sido mortos segundo grupos de direitos humanos, e as cerimônias de 40 dias foram marcadas por novos choques com a polícia.
As autoridades já haviam convocado cerimônias oficiais de 40 dias, chamadas de Chehelom, em mesquitas e cemitérios, após reconhecer violência em algumas ações, que teriam deixado feridos e prisões. Organizações de direitos humanos afirmam que jornalistas, advogados e ativistas foram presos em meio às medidas de controle.
Vídeos nas redes sociais mostraram familiares promovendo memoriais independentes em várias cidades, incluindo Abdanan, Mashhad e Hamedan. Em Abdanan, há relatos de confrontos com tiros contra centenas de enlutados em cemitérios, com feridos alegados e detenções.
O contexto envolve um descontentamento ampliado desde dezembro, que começou com comerciantes do Grand Bazaar de Teerã e evoluiu para uma ampla crítica aos líderes religiosos. O governo cortou o acesso à internet, atribuindo violência a “terroristas armados” ligados a Israel e aos EUA.
Analistas apontam que a liderança teme novo impulso de protestos caso uma ofensiva militar externa se intensifique. As autoridades rejeitam críticas, ressaltando que as ações visam impedir a repetição de tumultos históricos e preservar a estabilidade do regime.
Enquanto isso, famílias e comunidades continuam a realizar memoriais nas ruas, com cantos de protesto que citam o fim do regime e denúncias de violência. A repressão atual é acompanhada por forte vigilância e restrições de comunicação em várias cidades.
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