- O presidente e CEO da DP World, Sultan Ahmed Bin Sulayem, pediu demissão após a divulgação de arquivos do Departamento de Justiça dos EUA que associam seu nome a Epstein; a DP World nomeou um novo chairman e CEO.
- Os documentos mostram que Epstein tentou construir uma rede de figuras políticas e empresariais no Oriente Médio; Bin Sulayem aparece em mensagens trocadas com Epstein, incluindo relatos sobre relações pessoais.
- Investidores britânicos e canadenses suspenderam novos investimentos na DP World por vínculos alegados de Bin Sulayem com Epstein.
- No Oriente Médio, Epstein buscou influenciar empresários e figuras políticas, com menções a interlocutores no Qatar durante o bloqueio de 2017-2021 e referências à relação do Qatar com Israel e com a administração Trump.
- Também há discussões sobre a oferta pública inicial da Saudi Aramco e estratégias de venda de participação, além de menções a possíveis pedidos de ajuda ao ex-presidente Hosni Mubarak no Egito em 2011.
DUBAI, 18 de fevereiro (Reuters) – Documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam que Jeffrey Epstein tentou montar uma rede de relações entre figuras políticas e empresariais no Oriente Médio. A notícia acarreta a maior repercussão regional até o momento, envolvendo o principal executivo de um gigante portuário.
DP World informou na sexta-feira que Sultan Ahmed Bin Sulayem deixou os cargos de diretor-executivo e presidente do conselho. A decisão ocorreu após a menção de seu nome nos arquivos de Epstein, segundo duas fontes próximas ao caso, em meio a escrutínio crescente sobre o tema.
Na mesma nota, a empresa mencionou ter aceitado a renúncia e informou que o governante de Dubai emitiu decreto nomeando um novo presidente para a Dubai Ports, Customs and Free Zone Corporation, cargo que Bin Sulayem ocupava.
Conexões e ações corporativas
A Reuters teve acesso apenas a parte dos arquivos que envolvem Bin Sulayem e não pôde confirmar exatamente o que motivou a saída. Fontes indicaram, porém, que o tema estava relacionado aos documentos do DOJ.
Em mensagens, Epstein descreveu Bin Sulayem como pessoa humorada e confiável. O perfil do executivo, muçulmano, também foi citado em relação a hábitos pessoais, sem implicar conduta ilegal.
A Associated Press, Reuters e outras agências destacaram que o material divulgado não constitui prova de crime, mas reacendeu questionamentos de financiadores sobre vínculos passados.
Repercussões de investidores
As atenções se voltaram para os financiadores internacionais da DP World. A British International Investment (BII) e o fundo de pensão canadense La Caisse disseram suspender novos investimentos até esclarecimentos sobre a relação entre Bin Sulayem e Epstein.
A BII comunicou surpresa com as alegações publicadas e afirmou suspender novas operações até que ações cabíveis fossem adotadas pela empresa. La Caisse também pausar investimentos adicionais até alinhamentos com a DP World.
Bin Sulayem não respondeu a pedidos de comentário. A DP World também não se manifestou sobre o assunto.
Contexto regional e análises
Os documentos do DOJ sugerem esforços de Epstein para influenciar líderes de negócios, políticos e acadêmicos no Oriente Médio durante períodos de tensão regional. A verificação de impactos diretos permanece em estudo para FPIs e parceiros.
Entre os casos citados, Epstein discutiu estratégias com figuras da Qatar para influenciar decisões durante o bloqueio regional de 2017-2021, além de sugerir alianças com Israel em troca de apoio externo. O governo de Doha manteve postura independente.
Outros desdobramentos
Ainda segundo o material divulgados, Epstein discutiu a possível abertura de capital da Saudi Aramco e estratégias para atrair liquidez, com mensagens envolvendo indivíduos próximos a decisões estratégicas. A Aramco não comentou os e-mails.
O conjunto de mensagens também aponta contatos com autoridades egípcias relacionados a Gamal Mubarak, sem avaliação pública sobre impactos ou desdobramentos legais.
A cobertura segue acompanhando as investigações e as respostas de investidores internacionais, bem como futuros desdobramentos sobre o alinhamento entre a DP World e seus parceiros financeiros.
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