- A expiração do New START deixou de haver um instrumento atual de limitação de armas entre os EUA e a Rússia, embora haja diálogo entre as potências e discussões sobre incluir mais atores, como a China.
- O aumento da proliferação horizontal é visto como uma ameaça, com estimativa de que dezenas de países possam estar próximos de ter capacidade nuclear, o que complicaria o equilíbrio estratégico global.
- A IAEA aponta preocupações sobre o programa iraniano, mas afirma não haver evidência conclusiva de que Teerã busque desenvolver armas, enquanto o acesso aos locais permanece crucial e as negociações com os Estados Unidos seguem em curso.
- A guerra recente danificou significativamente infraestruturas nucleares, levantando dúvidas sobre a recuperação do material e reforçando a necessidade de verificação estrita e transparência.
- Rafael Grossi, que é candidato a secretário-geral da ONU pelo governo argentino, defende a continuidade do multilateralismo e da diplomacia para manter a não-proliferação e a segurança global.
Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirma que abandonar a lógica de não proliferação seria um erro estratégico. O tema ganha força após a expiração de New START e diante da expansão nuclear de potências como China.
A entrevista foi realizada à margem da Conferência de Segurança de Munique. Grossi, apontado entre os favoritos ao cargo de secretario-geral da ONU, comenta o papel da AIEA na supervisão de usinas na Ucrânia sob fogo e a vigilância sobre o programa iraniano.
O que aconteceu e quem está envolvido
A expiração de New START, principal tratado nuclear entre EUA e Rússia, ocorreu no início do mês. A IAEA monitorou a situação no cenário internacional e acompanha o avanço tecnológico que pode exigir novas regras.
Quando e onde ocorreu a entrevista
O diálogo ocorreu durante a Munich Security Conference, com divulgação parcial em FP Live. Grossi participa de discussões sobre não proliferação e verificação nuclear, tema central do noticiário.
Contexto e razões
O AIEA aponta a possibilidade de 30 países entrarem no grupo de potências com armas nucleares, além dos nove já detentores. A organização ressalta riscos de escalada regional caso o número de arsenais aumente sem controles.
Horizontais e verticais
A preocupação é dupla: o aumento de arsenais entre potências (vertical) e a adesão de novos países à posse de armas (horizontal). Grossi afirma que a proliferação desenfreada pode comprometer a estabilidade global.
Iran e a verificação
A agência relata falhas de Irã em cumprir obrigações do TNP e ainda busca acesso total a instalações para verificação. O material nuclear de Irã permanece sob controle, com estoques significativos de urânio enriquecido em diferentes níveis.
Cenário iraniano e negociações
O conflito regional, incluindo ataques a instalações iranianas, complicou o quadro. A AIEA mantém processo de verificação e dialoga com Estados Unidos e aliados para definir parâmetros de conformidade e de verificação futura.
Diplomacia e perspectivas
Grossi descreve um processo diplomático discreto entre Estados Unidos e Irã, centrado na estabilidade do programa nuclear e na verificação sob supervisão da AIEA. O objetivo é evitar novas formas de proliferação.
Percepção global sobre segurança nuclear
O dirigente destaca que a confiança na proteção nuclear de países nem sempre é estável. Países estudam instrumentos de defesa, como redes de segurança, mas ampliar o arsenal pode fragilizar a ordem nuclear vigente.
Perfil e candidatura à ONU
Durante a conversa, Grossi é questionado sobre sua candidatura à ONU. Ele defende a relevância da ONU como plataforma multilateral para paz, segurança e não proliferação, mesmo diante de críticas ao organismo.
Conclusão provisória
Grossi observa que a AIEA mantém atuação essencial em meio a tensões internacionais, com foco na verificação, transparência e cooperação entre nações. O tema continua a exigir avaliação cuidadosa pela comunidade internacional.
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