- Cinco venezuelanos presentaram nos EUA uma ação civil contra o ex-teniente coronel Rafael Quero Silva, acusando-o de tortura durante protestos contra Maduro em 2013, na Venezuela.
- Quero Silva está detido em um centro de imigração em Miami e enfrenta possível deportação para Venezuela enquanto corre a ação penal nos tribunais de imigração.
- A denúncia, apresentada no Distrito Sul da Flórida, sustenta que as agressões ocorreram entre 2013 e 2014 no Destacamento 47 da Guardia Nacional em Barquisimeto, com torturas, disparos e detenções abusivas.
- Os demandantes buscam danos compensatórios e punitivos, citando violação aos direitos humanos; a ação usa a Lei de Proteção às Víctimas de Tortura (torture victims protection act).
- A defesa de Quero Silva alega detenção e indigência; os advogados afirmam que, mesmo com deportação, o processo civil pode seguir, com o acusado se defendendo à distância.
Um exmilitar venezuelano é acusado nos EUA de tortura contra manifestantes durante as protests contra o governo de Nicolás Maduro em 2013. Rafael Quero Silva está detido em um centro de migrantes em Miami e enfrenta processo federal por violação de direitos humanos, com possibilidade de deportação para a Venezuela antes de a Justiça se pronunciar.
A ação, ajuizada em dezembro no Distrito Sul da Flórida, reúne cinco venezuelanos que estiveram detidos entre 2013 e 2014 na sede da Guardia Nacional em Barquisimeto, no estado Lara. Os autores alegam torturas e abusos desencadeados por ordens do acusado, que chefiava o Destacamento 47 da Guarda Nacional Bolivariana.
Segundo a denúncia de 31 páginas, as vítimas foram submetidas a agressões físicas, choques elétricos, disparos de armas e ameaças de morte. Detenção prolongada sem acesso adequado a alimento, água ou atendimento médico também é relatada, com relatos de lesões graves e sequelas permanentes.
Quero Silva foi detido pelo ICE no ano passado por exceder o tempo permitido pela sua visa de entrada, que data de 2016. O centro de detenção de Krome, no sudoeste de Miami, aparece como endereço oficial dele na ação. A defesa pediu a apelação após rejeição de seu pedido de asilo.
Para os autores, que atuam com Guernica 37 e um escritório de Miami, a deportação antes da conclusão do caso poderia dificultar a responsabilização pelo que chamam de padrão sistemático de repressão. A denúncia cita ainda que houve testemunhos ao FBI em 2018, sem acusações criminais subsequentes.
A ação civil é fundamentada na Lei de Proteção de Vítimas de Tortura de 1991, que admite processar responsáveis por abusos no exterior. Desde a apresentação, autoridades venezuelanas enfrentaram atenção de organismos internacionais por violações de direitos humanos contra manifestantes.
A reportagem também aponta mudanças recentes no cenário venezuelano, com capturas de autoridades do governo de Maduro em operações feitas pelos EUA e aumento nas cooperações migratórias. As partes mencionam que, mesmo com a prisão de figuras no exterior, não existe garantia de que respondam por crimes no estrangeiro caso sejam deportadas.
O processo continua em curso, e os demandantes afirmam que não há alternativa viável para buscar justiça na Venezuela. A defesa sustenta que Quero Silva está detido e em condição de indigência, enquanto a tramitação migratória pode levar meses.
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