- O Vaticano não participará do Conselho da Paz criado por Donald Trump, segundo o cardeal Pietro Parolin, que comanda a diplomacia vaticana.
- Parolin afirmou que, em nível internacional, a gestão de crises deve ficar a cargo da Organização das Nações Unidas.
- Leão XIV, considerado o primeiro papa norte‑americano, foi convidado a integrar o conselho em janeiro.
- O plano prevê supervisão da governança temporária de Gaza, com a primeira reunião agendada em Washington para discutir a reconstrução.
- Países reagiram com cautela: a Itália e a União Europeia participarão como observadores, e críticas apontam para riscos de interferência externa e questionamentos sobre a função da ONU.
O Vaticano anunciou que não participará do chamado “Conselho da Paz” criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O anúncio foi feito pelo cardeal Pietro Parolin, principal diplomata da Santa Sé, nesta terça-feira (18). A decisão segue a posição vaticana de defender que crises internacionais sejam gestidas pela ONU.
Leão XIV, descrito como o primeiro papa norte-americano e crítico de algumas políticas de Trump, havia sido convidado a integrar o conselho em janeiro. O grupo foi criado para supervisionar a governança temporária de Gaza, segundo o plano de Trump para a região e para ampliar atuação além de guerras locais, conforme declarações do empresário.
O plano prevê a primeira reunião do conselho em Washington, na quinta-feira (19), para discutir a reconstrução de Gaza. Itália e União Europeia informaram que enviarão representantes apenas como observadores, sem adesão formal ao conselho. A Santa Sé afirmou que não participa pela natureza particular de sua atuação.
Observadores internacionais e postura diplomática
Parolin ressaltou que, em nível internacional, a gestão de crises deve ficar sob a égide da ONU. Especialistas em direitos humanos interpretam o Conselho da Paz como uma estrutura que pode gerar controvérsias, associando-a a práticas coloniais ao supervisionar territórios estrangeiros.
A reação internacional foi cautelosa. Alguns aliados de Washington no Oriente Médio aceitaram participar como observadores, enquanto outros países ocidentais mantiveram distância temporariamente. A iniciativa, lançada no mês passado, também recebeu críticas por não incluir representantes palestinos.
A violência em Gaza persiste, com violações da trégua e vítimas em ambos os lados desde outubro. O conflito atual envolve milhares de mortos e uma grave crise humanitária, com deslocamento forçado e riscos de fome para a população local.
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