- Lin Rui-Siang, 25 anos, foi administrador do mercado da dark web Incognito, que vendeu mais de $ 100 milhões em narcóticos até o fim de 2024.
- Na audiência de sentença, a defesa revelou que um informante do FBI ajudou a administrar o Incognito por quase dois anos e, segundo alegações, autorizou a venda de pílulas com fentanyl.
- Lin afirma que o informante era co-responsável pela operação; a acusação sustenta que o informante era subordinado a Lin e que ele permitia novas vendas de fentanyl.
- Pílulas contaminadas com fentanyl teriam sido vendidas mesmo após alertas de risco, contribuindo para mortes, incluindo a de Reed Churchill.
- A sentença de Lin foi de 30 anos de prisão, uma das mais longas já impostas nos EUA por venda de drogas na dark web; o Incognito encerrou as atividades em 2024.
Um antigo administrador do mercado sombrio Incognito foi condenado a 30 anos de prisão por facilitar a venda de drogas, incluindo comprimidos com fentanil. O caso envolve um informante do FBI que ajudou a gerenciar a plataforma por quase dois anos e cuja atuação é alvo de questionamentos no processo.
O julgamento ocorreu nos Estados Unidos, com a decisão proferida durante a audiência de condenação de Lin Rui-Siang, 25 anos, natural de Taiwan. O promotor argumentou que Lin comandava o site e que o informante tinha função de moderador, com poder de remover vendedores.
A plataforma Incognito vendia mais de US$ 100 milhões em drogas ilícitas, entre elas MDMA, metanfetamina, cocaína e opioides, operando por quase quatro anos e encerrando as atividades em 2024. Entre as substâncias, havia comprimidos com fentanil ligados a mortes, inclusive de Reed Churchill, cuja família participou da audiência.
Em documentos de defesa apresentados no tribunal, Lin afirmou que o informante era parceiro no negócio e que controlava grande parte das operações diárias. Segundo a defesa, o informante dizia supervisionar cerca de 95% das transações do marketplace.
Conteúdo e controvérsias
As peças processuais também indicam divergências sobre o papel do informante. A promotoria sustenta que ele era subordinado a Lin e executava ordens, não atuando como igual parceiro. Acusa ainda Lin de ter autorizado vendas de opioides, cientes de que isso poderia provocar envenenamentos.
A defesa descreve falhas de atuação do informante, incluindo casos em que ele permitiu a continuidade de vendedores com relatos de relatos de fentanil, mesmo após avisos de perigo. Em registros não redigidos, há menções de decisões do informante durante incidentes com receitas adulteradas.
Casos específicos
Em novembro de 2023, um usuário relatou que um vendedor vendia comprimidos com fentanil que levaram a hospitalização da própria mãe. Segundo a defesa, o informante apenas reembolsou a transação e não removeu o vendedor. Em outros relatos, o mesmo vendedor vendeu mais de mil pedidos nos meses seguintes.
Outra evidência menciona que, em 2022, um fornecedor conhecido como RedLightLabs vendeu comprimidos próximos de Reed Churchill, morto por overdose. A defesa aponta que o informante desconsiderou alertas sobre o vendedor antes do incidente.
Debate no tribunal
Durante a audiência, o promotor afirmou que o FBI utilizou o informante para identificar Lin, afirmar que o papel do informante era de moderador e que Lin controlava o site. A defesa, por sua vez, sustenta que o informante agia sob a orientação de autoridades e que o caso demonstra a tentativa de reduzir danos.
O Departamento de Justiça não comentou além dos autos, e o FBI não respondeu a solicitações de entrevista. As peças jurídicas destacam que Lin teve participação na programação e na infraestrutura técnica do Incognito, enquanto o procurador enfatiza a responsabilidade dele pela decisão de permitir vendas de opioides.
Contexto judicial
A decisão de condenação foi emitida em meio a uma disputa sobre o alcance da atuação do informante do FBI na operação, e sobre se essa participação ajudou a desmantelar o mercado. O caso envolve trilhas de blockchain, apreensão de servidores e mensagens locais que ligam Lin ao pseudônimo Pharoah no marketplace.
Entre na conversa da comunidade