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Brasileiros na Rússia usam VPN para contornar restrições nas redes sociais

Brasileiros na Rússia seguem usando VPN para contornar bloqueios totais de WhatsApp e restrições do Telegram, enquanto o governo promove aplicativo governamental sem criptografia

Imagem de Paola e Clarissa, brasileiras que moram na Rússia. — Foto: Acervos pessoais
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  • A Rússia bloqueou totalmente o WhatsApp na quinta-feira, 12 de fevereiro, e começou a restringir gradualmente o Telegram, alegando uso para conteúdos criminosos; as empresas dizem ser retrocesso à liberdade de expressão.
  • Brasileiros que vivem no país costumam usar VPN para contornar as proibições; Paola Loureiro, de 25 anos, paga cerca de R$ 10 por mês pela VPN desde setembro de 2025 para manter chamadas e mensagens com o Brasil.
  • Ela diz que houve instabilidade de VPN gratuita no passado e que, apesar das mudanças, a ferramenta continua essencial para falar com familiares; o uso consome mais bateria no celular.
  • Clarissa Ribeiro, de 25 anos, também usa VPN desde a chegada à Rússia e, embora tenha percebido o bloqueio total apenas ao teste, verificou que o WhatsApp só funciona com VPN; Telegram permanece viável, porém mais lento sem VPN.
  • O governo promove o aplicativo Max, sem criptografia, para uso em serviços públicos; estudantes foram pressionados a baixar o Max para fazer provas, mas muitos seguiram em frente sem cumprir a orientação.

A Rússia informou o bloqueio total do WhatsApp na última quinta-feira, 12, ao mesmo tempo em que anunciou a suspensão gradual do Telegram. A justificativa oficial é o uso das plataformas para conteúdos criminosos; as empresas, por sua vez, dizem tratar-se de retrocesso à liberdade de expressão.

Na prática, brasileiros que vivem no país relatam que o impacto foi pequeno, pois já utilizam VPN para contornar restrições. O serviço de VPN cria um túnel criptografado que oculta a localização do usuário, permitindo acesso a apps bloqueados.

Duas brasileiras residentes em Moscou relataram a situação. Paola Loureiro, 25 anos, mineira, está cursando mestrado em linguística na cidade e já usa VPN desde antes do bloqueio. Ela passou a pagar por um serviço em 2025 para melhorar ligações com o Brasil.

Clarissa Ribeiro, também com 25 anos, pernambucana, chegou há dois anos para estudar veterinária. Ela usa VPN desde a chegada e só percebeu o bloqueio total ao testar o WhatsApp sem a ferramenta, constatando que a mensagem não chegou.

Continua a fila de apps sob restrição. Telegram permanece legível com VPN, mas o acesso ficou mais lento sem a rede privada. Instagram e Facebook seguem bloqueados sem o túnel. A Meta afirma ter mais de 100 milhões de usuários na Rússia.

Max, aplicativo promovido pelo governo russo e inspirado no WeChat, é apresentado como solução para mensagens e serviços públicos. Diferente de WhatsApp, o Max não utiliza criptografia, o que levanta preocupações sobre privacidade entre estudantes e moradores.

Universidades passaram a pressionar a adesão ao Max. Em dezembro de 2025, uma instituição avisou que exames de janeiro só poderiam ser feitos com o app instalado. As estudantes comentam que a maioria não atendeu à orientação e realizou as provas normalmente.

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