- Lula discursou na Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial, na Índia, destacando a dualidade da tecnologia e a necessidade de regulamentação das big techs.
- O presidente afirmou que a IA pode ampliar produtividade e serviços públicos, mas também pode facilitar armas autônomas, desinformação, discurso de ódio e violar direitos, impactando a democracia.
- Ele disse que é urgente uma governança global inclusiva e criticou a concentração de capacidades computacionais e dados em poucos países e empresas.
- O encontro com Sundar Pichai, CEO do Google, ocorreu durante a cúpula; o executivo ressaltou investimentos no Brasil e a abertura de um Centro de Engenharia em São Paulo.
- Lula citou iniciativas no Congresso e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (2025) para geração de emprego e melhoria de serviços, além de defender atuação multilateral com a ONU.
Luiz Inácio Lula da Silva discursou na Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada na Índia, na madrugada desta quinta-feira (19). O objetivo é debater governança da IA em âmbito global, com continuidade ao processo iniciado no Reino Unido em 2023.
O presidente ressaltou a dualidade da tecnologia, afirmando que toda inovação de grande impacto traz questões éticas e políticas. Ele comparou a IA a marcos como aviação, uso do átomo e corrida espacial.
Lula destacou os ganhos da IA para a produtividade, serviços públicos, medicina, segurança alimentar, energia e conectividade entre pessoas. Ao mesmo tempo, alertou para riscos como armas autônomas, desinformação e violência contra mulheres.
Segundo o presidente, o avanço tecnológico ocorre em contexto de enfraquecimento do multilateralismo, o que torna urgente uma governança global inclusiva. Ele defendeu a regulamentação das big techs para proteger direitos humanos e a integridade da informação.
O discurso enfatizou que dados gerados por pessoas, empresas e órgãos públicos estão concentrados em poucos players, o que pode limitar inovação real e distribuição de valor. Lula afirmou que, quando poucos controlam algoritmos, surge dominação, não inovação.
A regulamentação das big techs está ligada à proteção aos direitos humanos digitais, à integridade da informação e à proteção das indústrias criativas nacionais. O modelo atual é visto como dependente de dados pessoais para monetização e alcance de audiência.
O presidente mencionou iniciativas em discussão no Congresso e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, previsto para 2025, como parte de estratégia para gerar emprego, renda e melhoria dos serviços públicos.
No plano internacional, Lula reforçou a cooperação multilateral e defendeu a Organização das Nações Unidas como espaço central para uma governança global da IA orientada ao desenvolvimento.
Encontro com o CEO do Google
Durante a Cúpula, Lula se reuniu com Sundar Pichai, a pedido do executivo. O encontro ocorreu na Índia e tratou de investimentos já feitos no Brasil, incluindo a abertura de um Centro de Engenharia em São Paulo.
Pichai destacou a importância do Brasil para a Google, com ações de infraestrutura e parcerias com o setor público. O presidente apresentou a visão brasileira para IA, incluindo o Plano Nacional e iniciativas de atração de investimentos em datacenters.
Também foram discutidas preocupações com riscos da IA, especialmente envolvendo meninas e mulheres, e a proposta de marco regulatório em análise no Congresso, que busca proteger a indústria criativa brasileira.
Lula informou que a Google sinalizou compromisso de ampliar a parceria com o governo e com o setor privado no Brasil, fortalecendo ações conjuntas no país.
O que é a cúpula
A Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial ocorre anualmente e continua o debate iniciado no Reino Unido, em 2023. O objetivo é refletir sobre governança da IA e seus impactos, com visão internacional e de desenvolvimento.
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