- A Organização das Nações Unidas concluiu que há indícios de genocídio na siega de El Fasher, em Darfur, cometidos pela RSF contra comunidades não árabes.
- O relatório aponta um padrão sistemático de assassinatos étnicos, violência sexual, destruição de comunidades e declarações públicas que visavam eliminar grupos como os zaghawa e os fur.
- A Missão Internacional Independente de Investigação em Sudão identifica pelo menos três atos que podem configurar genocídio, incluindo o assassinato de um grupo protegido.
- Testemunhos indicam que membros da RSF teriam declarado intenção de matar qualquer zaghawa e de eliminar “tudo que seja negro” de Darfur; a escala e o apoio público de altos cargos indicam planejamento.
- O cerco de dezoito meses a El Fasher terminou com a queda da cidade para as forças paramilitares no fim de outubro, resultando em massacres, violações e deslocamentos em massa, especialmente de zaghawa.
A missão independente da ONU concluiu que há indícios de genocídio na ofensiva das Forças de Apoio Rápido (RSF) contra El Fasher, em Darfur do Norte. O relatório aponta um padrão sistemático de ataques contra comunidades não árabes, incluindo violência sexual e destruição de moradias. A análise se baseia em evidências coletadas durante o cerco de 18 meses.
Segundo o documento, há indícios de pelo menos três atos que podem configurar genocídio, com base em ações que visam a destruição física de grupos étnicos protegidos. O grupo-alvo principal seriam os zaghawa e os fur, conforme descrito pela missão.
Testemunhos de sobreviventes indicam que os RSF teriam declarado intenção de matar membros dessas comunidades e de expulsar ou eliminar qualquer presença não árabe em Darfur. A missão também aponta a coordenação e apoio público de altos comandantes para as ações descritas.
O cerco a El Fasher, último reduto do exército sudanês na região, terminou no fim de outubro, após meses de ataques que deixaram milhares de mortos, feridos, desaparecidos ou deslocados. A violência se manteve enquanto a população ficou exposta a táticas de terror.
Contexto e desdobramentos
A missão ressalta que as violências sexuais atingiram seletivamente mulheres e meninas zaghawa e fur, com raras exceções para mulheres árabes. Além disso, o relatório denuncia falhas na prevenção e na dissuasão por parte de autoridades nacionais e internacionais.
As conclusões destacam ainda que o caráter sistemático das violações reforça a gravidade dos crimes e demanda responsabilização. A ONU chama a atenção para a necessidade de mecanismos de proteção à população civil e de accountability.
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