- A oposição húngara reclamou de um vídeo de campanha do Fidesz que mostra uma menina chorando e cenas de execução, considerado emocional e inapropriado.
- O clipe de 33 segundos foi publicado na página de Budapeste do Fidesz e sugere que Brussels quer levar a Hungria para a guerra na Ucrânia, usando a frase “não vamos correr riscos”.
- O primeiro-ministro Viktor Orban tem usado a eleição de 12 de abril para enquadrar a escolha entre guerra e paz, atribuindo à Tisza a possível participação no conflito.
- O chefe de gabinete do governo disse que mais de mil pessoas são mortas ou feridas todos os dias na guerra da Ucrânia e afirmou que o vídeo foi produzido com inteligência artificial.
- Pesquisas indicam que 23% dos eleitores acreditam que a Tisza levaria o país à guerra; o apoio a Tisza fica entre oito e doze pontos acima do Fidesz em boa parte das sondagens.
O líder da oposição húngara, Péter Magyar, protestou nesta quinta-feira contra um vídeo de campanha do Fidesz, partido do atual primeiro ministro Viktor Orbán. O material emotivo mostra uma menina chorando à janela e cenas de um pai sendo executado em combate, gerando críticas por suposta ficção violenta.
O Fidesz veiculou o vídeo de 33 segundos na página de Facebook do diretório de Budapeste. A peça sugere que a União Europeia pressiona a Hungria a entrar na guerra na Ucrânia, numa comparação entre guerra e paz antes das eleições de 12 de abril.
Magyar descreveu a peça como repugnante e sem perdão, dizendo que é manipulação desumana. A oposição alega uso de tecnologia de inteligência artificial para criar cenas realistas. O vídeo não foi explicitamente rotulado como deepfake.
Conteúdo e contexto
O chanceler da operação governista afirmou que mais de mil pessoas morrem ou ficam gravemente feridas diariamente na guerra da Ucrânia. Gergely Gulyás confirmou a autenticidade do material como produto de IA, sem negar a geração das imagens.
O líder da Tisza, principal partido oposicionista, afirma defender a paz e não prevê envio de armas ou tropas a Kiev. A Tisza tem posição contrária a participação militar direta na Ucrânia, segundo o partido.
Dados e desdobramentos
A Reuters confirmou que o vídeo utilizou modelos de IA do Google para criar as cenas. Magyars apresentou, em outubro, uma queixa criminal contra um assessor próximo a Orbán, acusando uso de deepfake em outro conteúdo de campanha.
Várias peças eleitorais do Fidesz vêm usando vídeos gerados por IA, algumas identificadas como tal e outras não. A legislação da União Europeia sobre IA deve exigir divulgação de vídeos gerados artificialmente.
Pesquisas e repercussões
Pesquisa da 21 Research Centre, publicada na quinta-feira, aponta que 23% dos eleitores acham que a Tisza abriria a guerra na Ucrânia. Entre eleitores de Fidesz, 57% acreditam que sim, enquanto entre apoiadores da Tisza esse índice é próximo de zero.
A Tisza está, na maioria dos levantamentos, em vantagem de 8 a 12 pontos sobre o Fidesz, ainda que institutos próximos ao governo mantenham o governo na dianteira. A contagem de votos é marcada por incerteza entre eleitores indecisos.
Contornos legais e eleitorais
O material é alvo de debate sobre o uso de IA em campanhas, com as autoridades e observadores buscando diretrizes de transparência. Não houve indicação de que o vídeo tenha levado a processos legais adicionais até o momento.
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