- A reportagem de Barak Ravid aponta que Washington vê as negociações em Genebra como “nada importante” e considera possível um ataque total a, Iran, mais próximo do que se imagina, impactando o preço do petróleo.
- Teerã diz que não negociará sob pressão, mas exige negociações indiretas e o envio de diretrizes para uma nova rodada em duas semanas; o governo afirma ter ficado disposto a permanecer em Genebra, mas diz ter havido pressa para mudar de cenário.
- O chanceler iraniano informou que o IAEA pode visitar os locais nucleares do país para verificar o que resta, enquanto o Irã planeja reduzir o estoque de urânio de 60 por cento para 3–6 por cento e suspender enriquecimento por até cinco anos.
- Em contrapartida à suspensão, o Irã busca a retomada de ativos congelados, alívio de sanções financeiras e comerciais, além de potencial parceria econômica com os Estados Unidos.
- Analistas destacam três dificuldades para o governo Trump: o acordo se assemelha a um modelo rejeitado em 2018, não aborda o programa de mísseis e pode reforçar a pretensa invencibilidade do regime caso haja ataque externo, com impactos internos.
Trump intensifica postura militar no Oriente Médio e avança sobre possível ataque a Irã, segundo relatos de imprensa. O tema central envolve a montagem de um “arsenal de guerra” em torno da região e a leitura de Washington sobre as negociações com Teerã em Geneva. A matéria aponta que, na prática, Washington pressiona Teerã, sob o pretexto de buscar avanços diplomáticos, enquanto prepara opções militares de maior escala.
Segundo informações de veículos com acesso aos bastidores da administração, a percepção em Washington é de que a conversa em Genebra pode ter avançado pouco, apesar da pressão tangível sobre Teerã. A narrativa também menciona uma elevação recente de preços do petróleo, decorrente da tensão entre as partes e das leituras sobre o que pode ocorrer a seguir.
O governo iraniano afirma não negociar sob coerção, mas o movimento de Washington é apresentado como pressão para acelerar compromissos. A diplomacia de Teerã, por sua vez, ampliou a comunicação indireta e a definição de princípios que devem nortear futuras conversas, ainda sem cronograma público detalhado.
Avanços e entraves nas negociações
O ministro das Relações Exteriores do Irã informou ter mantido contato com o inspetor da IAEA para discutir visitas e verificação de conformidade, incluindo o controle da redução do estoque de urânio acima de 60%. O diálogo, porém, é descrito como complexo e ainda em fases iniciais, sem conclusão clara.
A parte iraniana sinaliza disponibilidade para suspender a enrichimento doméstico por até cinco anos, com redução do estoque de urânio 60% para cerca de 3-6%. Em contrapartida, Teerã busca a liberalização de ativos congelados, alívio de sanções financeiras e comerciais, além de abrir espaço para cooperação econômica com os Estados Unidos.
A proposta também envolve a volta da verificação pela IAEA, embora o Irã tenha expressado descontentamento com o tratamento da agência em ataques anteriores. Entre os relatos, há menção de apoio de atores internacionais, como o ministro de Relações Exteriores da Rússia, que defende a normalização do trabalho dos inspetores da IAEA, sem mencionar entregas de estoque ao país vizinho.
Analistas destacam três dificuldades para a gestão de Donald Trump nessa linha de negociação. Primeiro, as propostas lembram acordos anteriores, que o próprio governo criticou. Segundo, aceitá-las implica reconhecer espaço para enriquecimento doméstico sob condições de monitoramento, sem garantias sobre o programa de mísseis balísticos. Terceiro, qualquer movimento pode ser visto como ajuda a um regime sob desgaste, afetando o cenário político interno dos EUA e a credibilidade internacional.
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