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Corrida ao ouro afegão da China se torna mortal

A corrida do ouro de chineses no Afeganistão transforma-se em campo minado, com ataques que ceifaram vidas e pressionam Beijing a evacuar trabalhadores

Miners work at a gold mine in the Yaftal Sufla district in Badakhshan province of Afghanistan on Jan. 11. Omer Abrar/AFP via Getty Images
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  • Desde a tomada do poder pelo Talibã em 2021, a China domina a mineração no norte do Afeganistão, especialmente perto da fronteira com o Tajiquistão, mas as operações viraram campo minado mortal.
  • Desde novembro de 2024, ao menos sete ataques contra chineses na região fronteiriça deixaram nove mortos e dez feridos, com cerca de oitenta por cento dos incidentes ligados à mineração de ouro.
  • Conflitos entre locais, talibãs e mineradores chineses aumentam, influenciando disputas sobre direitos de mineração e o curso de rios na fronteira, o que pode redefinir limites nacionais.
  • a China tem pedido evacuação de seus cidadãos, tentando reduzir operações ilegais e pressionando o talibã e o Tajiquistão a aumentar a segurança; algumas minas foram fechadas ou evacuadas em 2025.
  • Não há solução simples: as opções vão desde cessar operações e maior pressão diplomática até intervenção direta, que é improvável, mantendo o risco para trabalhadores chineses na região.

O que pareceu ser uma corrida de exploração de ouro no norte do Afeganistão se transformou em uma zona de risco mortal. Desde a tomada do poder pelo Talibã, em 2021, empresas chinesas avançaram na mineração da região fronteiriça com o Tajiquistão. Nos últimos meses, chineses têm sido alvo de ataques, com várias mortes e ferimentos.

Os conflitos envolvem trabalhadores e empresários chineses, o Talibã e comunidades locais. Em muitos casos, operações de mineração são informais e disputadas, o que aumenta a tensão por direitos de lavra e pela participação local nos ganhos. A violência tem ocorrido em áreas próximas aos rios de fronteira, onde a extração de ouro altera o curso dos cursos d’água.

Quando: desde novembro de 2024, com episódios continuados ao longo de 2025 e início de 2026. Onde: área de fronteira Afghanistan-T Tajiquistão, incluindo Takhar e Badakhshan, além de operações na fronteira com o Tajiquistão. Por quê: a expansão da mineração, a presença de grupos armados não identificados e a fragilidade de segurança na região criam um ambiente propenso a ataques.

Como consequência, pekes de segurança aumentaram sobre cidadãos chineses. Ocorreram ataques cruzados entre forças de fronteira Tajiquistão e Talibã, em meio a protestos locais e disputas por direitos de lavra, que abalaram a estabilidade da área. Em resposta, a China pediu evacuação de seus trabalhadores e intensificou contactos diplomáticos com Kabul e Dushanbe.

A atuação do governo chinês tem sido de contenção e diplomacia, com tentativas de encerrar atividades ilegais, pressões sobre as autoridades locais e apelos para medidas de proteção. Pequim também pediu investigações sobre os ataques e responsabilização dos autores, buscando cooperação entre Afghanistan e Tajiquistão.

Fontes oficiais indicam que cerca de 7 incidentes contra cidadãos chineses foram registrados desde novembro de 2024, com pelo menos 9 mortos e mais de 10 feridos. A maioria das ocorrências está associada à mineração de ouro na região de fronteira. As autoridades afegãs e tajiques destacam a necessidade de reforço de segurança para evitar novas agressões.

As autoridades do Talibã anunciaram ações limitadas para coibir ataques, incluindo prisões e criação de unidades de segurança na fronteira. Tajiquistão e China mantêm diálogo técnico, mas as responsabilidades sobre a proteção de chineses permanecem em debate, sem consenso sobre quem deve responder pelos incidentes.

A China tem ponderado opções — desde cessar operações até aumentar pressão sobre Kabul e Dushanbe — mas não há solução simples. A evacuação de trabalhadores, inclusive de projetos legais, é vista como medida prioritária para reduzir riscos, ainda que não garanta a eliminação de provocações no curto prazo.

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