- A advogada Gloria Allred, que representa algumas vítimas de Jeffrey Epstein, diz que pode não haver justiça real para as pessoas traficadas e abusadas, mesmo com a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor.
- Em entrevista ao Today, da BBC, ela afirmou que o Reino Unido agiu rapidamente para prender o ex-príncipe, mas não houve resposta policial sobre acusações de crimes contra mulheres.
- Allred argumentou que denúncias de estupro, abuso sexual de menores e tráfico sexual costumam levar anos para serem investigadas e não resultam em prisões rápidas ou responsabilização das vítimas.
- Ela destacou que o Reino Unido tem exigido responsabilização de homens poderosos ligados ao círculo de Epstein, em contraste com os Estados Unidos, onde haveria menos responsabilização criminal ou civil.
- A advogada criticou o Departamento de Justiça dos EUA, alegando que parte dos arquivos do caso Epstein ainda não foi divulgada e que vítimas podem ter seus nomes expostos, enquanto potenciais culpados permanecem protegidos.
Gloria Allred, advogada de vítimas de Jeffrey Epstein, afirmou à BBC que não haverá “verdadeira justiça” para as vítimas de tráfico sexual mesmo com a prisão de Andrew Mountbatten-Windsor. Ela destacou que as autoridades britânicas agiram rapidamente ao abordar a possível troca de documentos confidenciais com Epstein, mas não houve movimento proporcional nas acusações de violência sexual.
A advogada, com quatro décadas de atuação, disse também que acusações envolvendo segredos de Estado ou crimes financeiros recebem prioridade, enquanto casos de estupro, abuso de menores e tráfico sexual costumam demorar para ser investigados e levar a prisões. As declarações foram dadas durante o programa Today, da BBC Radio 4.
Allred ressaltou que o Reino Unido tem cobrado responsabilização de homens influentes ligados ao círculo social e empresarial de Epstein, em contraste com o que descreveu como falta de responsabilização criminal e civil nos Estados Unidos para homens poderosos que teriam participado de abusos sexuais ou tráfico com Epstein.
A comentarista ainda informou que a investigação do Departamento de Justiça dos EUA, outrora distinto do poder político, estaria hoje excessivamente alinhada com a administração federal, o que poderia impedir processamentos de acusados. Em relação à divulgação de documentos do caso Epstein, a jurista destacou que alguns papéis permanecem sob sigilo.
Sobre a prisão de Mountbatten-Windsor, Allred afirmou que o feito não mudará significativamente as perspectivas de responsabilização nos EUA. Segundo ela, não há garantias de que haja processos criminais ou civis contra os envolvidos, mesmo com o andamento de investigações no Reino Unido.
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