- Nesta sexta-feira, o ministro da Saúde de Cuba, José Ángel Portal Miranda, disse que o sistema de saúde está à beira do colapso devido ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos ao fornecimento de petróleo.
- Miranda afirmou que cerca de cinco milhões de cubanos com doenças crônicas podem enfrentar escassez de medicamentos ou adiamento de tratamentos, incluindo radioterapia para doentes oncológicos e quimioterapia para pacientes.
- Entre os setores mais impactados, estão cardiologia, ortopedia, oncologia e serviços que exigem energia de reserva, além de tratamentos para doenças renais e atendimento de ambulância de emergência.
- O governo destaca que o sistema de saúde, universal e gratuito, já enfrentava crise após a pandemia, com migração de médicos e compra de medicamentos no mercado paralelo.
- O ministro afirmou que a situação tende a piorar nas próximas semanas, com restrições a tecnologias dependentes de energia e esforços para adaptar, como painéis solares, priorizando crianças e idosos. O bloqueio é visto como um cerco energético com efeitos diretos à vida dos cubanos.
O ministro da Saúde de Cuba afirmou que o sistema de saúde do país está à beira do colapso devido ao bloqueio dos EUA e à restrição de fornecimento de petróleo. A entrevista foi concedida à Associated Press. O alerta foi feito nesta sexta-feira, 20, em Havana.
Segundo José Ángel Portal Miranda, as sanções americanas afetam a economia e, sobretudo, a segurança humana básica. Ele ressalta que prejudicar a economia de um Estado repercute diretamente na vida da população.
Acesso a medicamentos e continuidade de tratamentos correm risco. O ministro citou que cerca de 5 milhões de cubanos com doenças crônicas podem enfrentar escassez de remédios ou adiamento de terapias, incluindo radioterapia para 16 mil pacientes oncológicos e quimioterapia para 12,4 mil pacientes.
Entre os setores mais atingidos, Portal Miranda indicou cardiologia, ortopedia, oncologia e atendimento a pacientes em estado crítico que dependem de energia de reserva. A falta de combustível compromete esses serviços.
Os problemas se estendem a tratamentos para doenças renais e ao serviço de ambulâncias de emergência, afetados pela redução de energia, segundo o ministro. O sistema de saúde cubano opera de forma universal e gratuita, com clínicas em grande parte do país e remédios subsidiados pelo Estado.
Apesar de a crise ter se intensificado nos últimos anos, a pandemia da Covid-19 agravou a situação, levando milhares de médicos a deixarem o país e aumentando a dependência de importações de remédios. O governo tem tentado medidas de adaptação, como uso de painéis solares nas clínicas e priorização de atendimentos a crianças e idosos.
Porta-vozes oficiais indicam restrições a tecnologias que exigem mais energia, como tomografias e exames laboratoriais, o que obriga médicos a recorrer a métodos mais básicos. O ministro afirmou que o país enfrenta um cerco energético com impactos diretos na vida das famílias cubanas.
As autoridades dos EUA mantêm o bloqueio energético desde janeiro, sob a justificativa de ameaças à segurança nacional. Cuba fica a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida. A crise humanitária inclui desabastecimento de alimentos e queda no fornecimento de energia, com impactos no funcionamento hospitalar.
Observadores apontam que a tensão política e econômica entre os dois países agrava a situação de recursos de saúde na ilha. O secretário de Saúde cubano enfatizou a necessidade de ajustes contínuos enquanto a região observa a evolução do cenário.
Entre na conversa da comunidade