- O ministro de Exteriores da Estônia, Margus Tsakhna, afirma que Putin joga com Trump e com todo o Ocidente, apresentando-se como defensor da paz enquanto a prática mostra mais guerra.
- Tsakhna aponta que os bombardeios à infraestrutura energética da Ucrânia continuam, classificando a violência como genocídio e destacando que Putin usa as negociações para adiar decisões.
- O ministro diz ter esperanças de que a guerra termine ainda neste ano, citando a necessidade de continuar apoiando a Ucrânia e pressionar a Rússia para aumentar a pressão europeia.
- A Comissão Europeia trabalha no vigésimo pacote de sanções contra a Rússia; a Estônia, com apoio de outros países, propõe colocar tarifas adicionais sobre importações russas e bielorrussas, além de criar uma lista negra Schengen para ex-combatentes russos.
- Tsakhna comenta que a União Europeia deve reavaliar as relações com Cuba, diante do apoio cubano à Rússia e do impacto em Ucrânia, defendendo mudanças políticas que melhorem a situação no país caribenho.
O ministro de Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsakhna, chegou à entrevista com leve indisposição, após retornar de Kiev. Em Vilnius, houve isolamento de temperaturas intensas neste inverno, refletindo o impacto do conflito na região. Tsakhna fala com clareza sobre o que observa no front diplomático e militar.
Segundo ele, o Kremlin usa negociações de paz para ganhar tempo e manipular Ocidente, enquanto a guerra segue intensa. O ministro aponta bombardeios na infraestrutura energética ucraniana como indicador de uma violência que transcende o modelo de guerra convencional.
Tsakhna destacou que a União Europeia precisa reavaliar relações com Cuba, mantendo foco no bem-estar de populações afetadas e no peso político do regime cubano na conjuntura regional.
Rumo à sanção mais dura e a uma lista de restrições
O político afirmou que o bloco deve avançar com o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, incluindo propostas de tarifas adicionais nas importações de Moscou e Minsk. As tarifas não dependem de consenso, ao contrário das sanções.
Foi defendida a criação de uma lista negra Schengen para impedir a entrada de ex-combatentes russos na UE, considerando que muitos deles poderiam representar risco à segurança. Já foram cadastrados cerca de 1.500 nomes.
Tsakhna reiterou apoio à proteção das fronteiras europeias e à resposta unificada a desertores russos, com objetivo de enviar mensagem firme de que a participação na agressão não terá espaço no território comunitário.
Cuba, China e Groenlândia no centro das discussões
O ministro citou a necessidade de reduzir a dependência de aliados que apoiam a Rússia, mencionando a China como sustentáculo econômico e tecnológico que, se quiser, pode encerrar o conflito, mas não pretende fazê-lo.
Sobre Groenlândia, reiterou que a integridade territorial é fundamental para a Estônia, destacando que seu país não reconhecerá mudanças de fronteira pela força e mantém solidariedade a Dinamarca e à própria ilha.
Quanto a Cuba, Tsakhna explicou que, desde 2016, a política da UE precisa ser reavaliada diante do apoio cubano à Rússia. O objetivo é melhorar as condições de vida da população cubana e considerar caminhos para mudança de regime conforme a situação regional.
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