- Os três estados do Golfo — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar — estão investindo centenas de bilhões de dólares em inteligência artificial.
- Os Emirados foram os mais rápidos, com estratégia nacional de IA e interesse em um ministro de IA desde dois mil e dezessete; a Arábia Saudita criou a Autoridade de Dados e IA em dois mil e dezenove e lançou a empresa Humain em dois mil e vinte e cinco; a Arábia Saudita também usa a IA na Aramco há mais tempo. O Catar criou uma companhia nacional de IA, a Qai, no fim do ano passado.
- Os líderes desses países veem a IA como forma de diversificar economias dependentes de hidrocarbonetos e preparar futuros pós-petróleo e gás.
- Do ponto de vista geopolítico, investir em IA ajuda a manter parceria estratégica com grandes empresas dos Estados Unidos, o que, por sua vez, favorece a percepção de proteção americana, sem depender de garantias formais.
- Apesar disso, os países mantêm laços econômicos e de segurança com a China, argumentando que a competição entre EUA e China torna a cooperação com Washington essencial, mas não inviabiliza relações com Beijing.
O Golfo aposta pesado em IA para fortalecer economia diversa e, ao mesmo tempo, buscar proteção estratégica. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar destinam centenas de bilhões de dólares a projetos de inteligência artificial.
Os Emirados foram pioneiros, com uma estratégia nacional de IA e a nomeação de um ministro do setor em 2017. Riad estruturou a aposta em IA dentro do visível plano Vision 2030, com a criação da autoridade de dados e IA em 2019 e lançamento de uma empresa AI ligada ao fundo soberano apenas em 2025.
No Qatar, a agenda só ganhou impulso no ano passado, quando a Qatar Investment Authority criou a empresa nacional de IA, Qai, após anos de foco em mídia, universidades e atuação junto a Washington. As três nações buscam reduzir a dependência de hidrocarbonetos.
A leitura predominante é de que IA pode transformar economias e sociedades, justificando a diversificação regional. Lideranças do Golfo veem a tecnologia como um caminho para futuros pós-petróleo e pós-gás.
Parcerias com gigantes de tecnologia
A motivação não é apenas econômica. A aposta também funciona como seguro geopolítico: ao se associarem a empresas como Google, Microsoft e OpenAI, os países ganham relevância junto aos EUA e fortalecem garantias de proteção.
Essa lógica espelha, em parte, a relação dos EUA com base militar de Al Udeid, no Qatar. A base histórica facilita o alinhamento regional e serve aos interesses de Washington, inclusive em operações no Afeganistão e no Oriente Médio.
Diante disso, as autoridades do Golfo desejam manter Washington como principal parceiro de segurança, mesmo mantendo vínculos econômicos com a China. Exportações de energia para Pequim e participação de firmas chinesas em infraestrutura regional ajudam a sustentar esses laços.
Implicações para a segurança regional
Ao se tornarem players na corrida de IA, Riad, Abu Dhabi e Doha buscam influenciar as decisões estratégicas dos EUA. A proximidade com gigantes da tecnologia pode reduzir vulnerabilidades a pressões externas.
Analistas apontam que o equilíbrio entre alinhamento com Washington e cooperação com Beijing é parte de uma estratégia de governança energética e tecnológica. A prioridade é manter condições estáveis para o desenvolvimento de IA local.
A aposta regional sustenta que o investimento em IA é, ao mesmo tempo, econômico e geopolítico. Os objetivos são diversificar economias e assegurar proteção estratégica sem recorrer a garantias formais.
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