- Os Estados Unidos intensificaram o envolvimento com Armênia e Azerbaijão para facilitar a conectividade regional e a diplomacia entre os dois países.
- O projeto TRIPP (Trump Route for International Peace and Prosperity) prevê um corredor de transporte que liga Azerbaijão a Nakhchivan via território armênio, com direitos de desenvolvimento exclusivos por noventa e nove anos.
- A estrutura prevê a participação norte-americana com cerca de 74% de participação na TRIPP Development Company, enquanto a Armênia ficaria com a parte restante.
- O objetivo é ampliar ligações rodoviárias, ferroviárias e de oleoduto, conectando a região a mercados europeus e a recursos do Centro da Ásia, incluindo possíveis fluxos de energia.
- Desafios incluem a normalização entre Armênia e Azerbaijão ainda não concluída, eleições parlamentares na Armênia em junho e resistência de potências como Rússia e Irã, que podem dificultar projetos de conectividade liderados pelos EUA.
A administração de Washington vem intensificando, de forma discreta, seu envolvimento com a Armênia e o Azerbaijão, dois países do Cáucaso vizinhos do Irã. A atuação busca consolidar ambos como aliados regionais e avançar conectividade econômica e infraestrutura sob a égide dos EUA. A iniciativa ocorre em meio a tensões regionais e a uma competição estratégica com Rússia e China.
As negociações entre Armênia e Azerbaijão progrediram lentamente após décadas de conflito pela região de Nagorno-Karabakh. O retorno da diplomacia dos EUA no fim de 2024 acelerou o processo, com visita de líderes a Washington e assinatura de instrumentos de normalização entre os dois países. O objetivo é criar condições estáveis para cooperação regional.
Projeto de conectividade
Um componente central é o trânsito entre Azerbaijão, Nakhchivan e território armênio, via rodovias, ferrovias e dutos. O acordo prevê direitos exclusivos de desenvolvimento para uma companhia controlada pelos EUA por quase um século, com participação majoritária de 74% sob a gestão norte-americana.
A finalidade é melhorar a conectividade regional, potencialmente facilitando o fluxo de energia e mercadorias entre o Mar Cáspio, Turquía e Europa. A iniciativa é vista como modelo possível para iniciativas ocidentais em outras regiões, sob o guarda-chuva de Washington.
Desafios e cenários
A viabilidade depende de concluir a normalização formal entre Armênia e Azerbaijão. Futuras eleições parlamentares na Armênia podem influenciar o ritmo do processo e a formação de alianças internas. Além disso, Moscou continua a monitorar a evolução, mantendo capacidade de atuação na região.
Isto ocorre em meio à oposição de Rússia e, de forma correlata, de Irã às estratégias euro-ocidentais de conectividade. A presença de Paris e outras capitais europeias no tabuleiro também influencia o cenário, assim como o papel de Pequim na busca por novas rotas comerciais.
Implicações estratégicas
Especialistas apontam que a parceria EUA-armênia-azerbaijão, associada ao TRIPP, pode reconfigurar a geopolítica do Cáucaso. O corredor proposto promete diversificar rotas de energia e reduzir a dependência de vias tradicionais, ao mesmo tempo em que aumenta a importância regional dos portos e nós logísticos.
O movimento também sinaliza como Washington tenta gerir crises globais ao usar o Cáucaso como ponto de apoio para competição com Rússia e China. O tempo dirá se a estratégia consolidará incentivos econômicos estáveis e menor volatilidade militar na região.
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