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México, um país sem grandes capos do tráfico

Após a morte do Mencho, o México enfrenta criminalidade descentralizada: mais de oitenta facções e aumento de violência e extorsões, segundo autoridades

Joaquín Guzmán Loera, Nemesio Oseguera Cervantes e Ismael Zambada García
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  • A morte do Mencho, líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación, encerra uma era de grandes chefes e evidencia o impasse da estratégia de atingir apenas os grandes cartéis.
  • Com o enfraquecimento dos agrupamentos tradicionais, surgem centenas de facções menores e mais desorganizadas; hoje são identificadas mais de oitenta organizações.
  • A violência se espalha pelo país, com ataques e bloqueios ocorrendo em diversas regiões, incluindo cerca de duzentos e cinquenta bloqueios em vinte estados.
  • O governo já enviou mais de cem presos de alto e médio perfil para os Estados Unidos, visando cortar redes internas e evitar alianças dentro de prisões.
  • Analistas destacam que a raiz do problema é estrutural, ligada a compaixão entre poder político, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas, não apenas aos grandes capos.

México enfrenta um recrudescimento de violência mesmo após o abatimento de grandes lideranças do crime organizado. O foco da estratégia de combate, que visava neutralizar os capos, levou à fragmentação de grandes cartéis em redes menores e mais imprevisíveis.

O último capítulo ocorreu neste domingo, quando o Mencho foi morto pelo Exército. A operação, realizada em coordenação com autoridades dos Estados Unidos, encerra uma era de liderança visível e abre um cenário de atuação descentralizada.

Contexto

A queda de chefias históricas ocorreu ao longo de quase duas décadas de guerra contra o narcotráfico. Dados oficiais apontam que, desde a primeira metade dos anos 2000, prisões e ações militares visaram desmantelar estruturas de poder, visando reduzir a violência associada aos cartelos.

Especialistas avaliam que o método de “descabeçar” as organizações gerou ondas de violência em várias regiões. Com as grandes lideranças fora do jogo, surgiram milícias menores, mais voláteis e de atuação fragmentada, dificultando o monitoramento.

Desdobramentos e cenário atual

Entre os alvos de intervenções estiveram figuras como Rafael Caro Quintero e La Tuta, além de núcleos do CJNG. Autoridades destacam que o deslocamento de capturas para o interior das prisões busca impedir recomposição de alianças entre redes criminosas.

Coordenadores de segurança ressaltam que o país enfrentará um período de incerteza. A pulverização gerou uma “galáxia” de grupos atuantes em diferentes estados, com registros de bloqueios, ataques a transportes e incêndios criminosos em várias cidades.

Análise especializada

Especialistas destacam que a raiz do problema está além dos nomes mediáticos. Para analistas, é preciso enfrentar redes de lavagem de dinheiro e a relação entre crime e poder local, para conter a mobilização e o fluxo de recursos ilícitos.

Segundo pesquisadores, a mortandade de lideranças não encerra a violência. O desafio passa pela neutralização de atividades criminosas disseminadas, que vão desde tráfico de drogas até extorsão, mineração ilegal e contrabando.

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