- A comunidade indígena Ikoots de Cuauhtémoc, em San Mateo del Mar, tem cerca de 900 moradores e enfrenta enchentes recorrentes e perda de casas devido ao avanço do mar no litoral do Pacífico mexicano.
- Estudo aponta que o Pacífico “comeu” 8,4 metros de litoral por ano entre 1967 e 2014, com encroachment mais acentuado desde a primeira metade do século passado.
- Moradores relatam que a água chega cada vez mais perto; casas e ruas já foram abandonadas e o local fica sujeito a inundações sazonais, dificultando trabalho e escola.
- Em maio de 2025, houve votação pela relocação, mas há atrasos burocráticos e cerca de 50.000 pesos para aquisição de terreno que impedem a saída de parte da população.
- O governo federal foi acionado; o novo assentamento fica em Polygon 3A, a cerca de 5 km da Cuauhtémoc, ainda dependente de acordos com proprietários para avançar.
Cuauhtémoc, México — A comunidade indígena Ikoots de Cuauhtémoc, em San Mateo del Mar, enfrenta avanço constante do mar que já consumiu parte do território e paralisou a vida cotidiana. Em 1967-2014, o mar do Pacífico teria engolido cerca de 8,4 metros de costa por ano, segundo estudo de universidade mexicana. A elevação do nível do mar e projetos de infraestrutura ajudam a ampliar o processo de erosão.
Ameaçados pela água, pelo menos 900 integrantes Ikoots veem casas e ruas desaparecerem sob a maré. Em 2007, o deslocamento de moradores começou; hoje o estreito litoral abriga residências abandonadas e áreas encharcadas pela água salgada. A vila fica entre o oceano e um grande sistema de lagos, o que amplifica os impactos.
A população relata formidáveis mudanças no cotidiano: inundações sazonais obrigam moradores a ficar isolados entre março e abril e novamente entre setembro. O abastecimento de água potável depende de o Tehuantepec River, prejudicado pela salinização, e a qualidade é irregular. A busca por apoio federal tem sido lenta.
Causas em debate
Especialistas divergem sobre as causas isoladas da erosão. Um estudo de 2023 encomendado mostra que o aumento do nível do mar, em si, não explica sozinha o fenômeno; mudanças no regime de sedimentos também pesam. A construção da Barragem Benito Juárez, em 1961, reduz o transporte de sedimentos até a linha costeira, agravando a erosão local. Em paralelo, obras de novas obras de proteção no porto de Salina Cruz podem alterar correntes e acelerar o recuo da costa.
Outras leituras apontam que a ausência de reabastecimento de sedimentos é o principal motor da perda de terra em Cuauhtémoc, com efeito reduzido à medida que se afasta da área de descarga do Tehuantepec. A comunidade também cita impactos indiretos de obras portuárias na região.
Relocação como saída
Conforme consenso entre especialistas, a necessidade de realocação é cada vez mais clara, dado que o bairro pode ficar inundado em menos de uma década. Em maio de 2025, a comunidade autorizou a mudança de moradia em assembleia local, mas o processo depende de etapas administrativas e de financiamento.
A prefeitura de San Mateo del Mar afirma que o governo federal foi acionado, com visitas de autoridades em 2023. A localização do novo assentamento já foi definida: o Polygon 3A, a cerca de 5 km de Cuauhtémoc, mas envolve terras de fora da comunidade. A negociação com proprietários é essencial para avançar. A expectativa é de que recursos federais cubram infraestrutura necessária.
Enquanto isso, alguns moradores permanecem, apesar dos atrasos. Muitos não conseguem arcar com o custo de aquisição de terreno, estimado em cerca de 50 mil pesos por unidade. A comunidade espera apoio financeiro para viabilizar a transição e manter o futuro da população, especialmente das próximas gerações.
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