- O Irã rebateu as acusações de Donald Trump, chamando as alegações de desenvolvimento de mísseis capazes de atingir os EUA e de ambições nucleares de “grandes mentiras”.
- Antes de retomar as negociações em Genebra, com mediação de Omã, Washington disse priorizar a via diplomática; Teerã afirmou que um acordo está ao alcance da mão.
- O ministro das Relações Exteriores do Irã disse estar determinado a alcançar um acordo justo e rápido, destacando que a diplomacia precisa ser prioridade.
- As autoridades iranianas reconhecem mais de 3 mil mortos na repressão aos protestos iniciados em janeiro; a organização HRANA estima mais de 7 mil, com números provavelmente subnotificados.
- Estudantes universitários voltaram a protestar em Teerã; vídeos mostram que alguns manifestantes queimaram a bandeira iraniana e criticaram o governo, ainda que as autoridades digam que há direito de manifestação dentro de limites.
O Irã rebateu nesta quarta-feira 25 as acusações dos Estados Unidos de que o país desenvolve mísseis capazes de atingir o território norte-americano e de seguir com ambições nucleares. O governo iraniano chamou as alegações de grandes mentiras.
A resposta ocorreu após Trump afirmar, no discurso sobre o Estado da União, que Teerã pode ameaçar bases norte-americanas e Europa. O Irã pediu diplomacia e destacou a possibilidade de um acordo justo, caso haja boa-fé de ambas as partes.
Antes da retomada das negociações em Genebra, marcada para quinta-feira 26 com mediação de Omã, o Irã havia dito que um acordo estaria ao alcance da mão. Washington enviou equipamento militar à região do Golfo.
“O que estão alegando sobre o programa nuclear e os mísseis é repetição de grandes mentiras”, declarou Esmaeil Baqaei, porta-voz da diplomacia iraniana, na rede X, citando também repressões ocorridas em protestos de janeiro.
Trump afirmou que Teerã desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e bases norte-americanas e que trabalha para fabricar armas nucleares que chegarão aos EUA, segundo o presidente.
Oportunidade histórica
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbass Araghchi, disse que o país busca um acordo justo e rápido, afirmando que a possibilidade existe desde que a diplomacia seja prioridade. Ele escreveu que o entendimento está ao alcance da mão.
Araghchi enfatizou o interesse iraniano em um acordo que aborde preocupações de ambas as partes, sem indicar palavras-chave ausentes por parte de Teerã. O chanceler ressaltou ainda disposição para avançar.
Manifestações estudantis
Teerã negou ambições militares nucleares, defendendo o direito civil à energia nuclear com base no TNP, do qual o Irã é signatário. Mesmo assim, estudantes voltaram a protestar em universidades da capital.
Autoridades iranianas reconhecem números de mortos na repressão aos protestos, com diferentes estimativas. A organização HRANA, com sede nos EUA, aponta mais de 7 mil óbitos, estimativa superior a outras contagens oficiais.
A Secretaria de Governo afirmou que estudantes têm direito de manifestar-se, desde que dentro de limites. Vídeos publicados em redes sociais mostram apelos contra o governo e à esquerda de autoridades, com cenas de queimadas de bandeiras.
Entre na conversa da comunidade