- O chanceler alemão Friedrich Merz chegou a Pequim para uma visita de dois dias e foi recebido pelo primeiro-ministro Li Qiang no Gran Salón del Pueblo.
- Merz declarou que busca uma relação com a China que seja equilibrada, confiável, regulada e justa, afirmando que seria um erro desvincular-se do país.
- A viagem ocorre em meio a um reequilíbrio da União Europeia nas relações com a China, com cautela diante da hostilidade geopolítica dos Estados Unidos.
- A China foi o principal parceiro comercial da Alemanha em 2025, enquanto o superávit chinês e as barreiras de acesso ao mercado representam desafios para a indústria alemã.
- Entre os temas previstos para discussão estão a sobrecapacidade chinesa, restrições à exportação e distorções na concorrência; outros líderes ocidentais também visitaram Pequim em busca de aproximação.
Friedrich Merz chegou a Pequim para uma viagem de dois dias com o objetivo de buscar uma relação econômica com a China que seja equilibrada, estável e regulada. O chanceler alemão desembarcou na tarde de hoje e foi recebido pelo premiê Li Qiang no Gran Salão do Povo, em um encontro inicial que marca o início de sua passagem pela capital chinesa.
Merz viaja acompanhado por uma comitiva empresarial, com participação de executivos do setor automotivo. A agenda inclui audiência com Xi Jinping e encontros com representantes do governo chinês, que podem orientar o tom das relações entre Alemanha e China nos próximos meses.
Contexto estratégico
O anúncio chega em meio a uma recalibração das relações entre a União Europeia e Pequim, diante de um cenário de maior tensão geopolítica global. A China tornou-se o principal parceiro comercial da Alemanha, superando os Estados Unidos, e a participação de empresas alemãs no mercado chinês é significativa, o que impõe um delicado equilíbrio econômico.
Entretanto, o crescimento do superávit comercial chinês e a assimetria na balança com a UE alimentam preocupações sobre acesso ao mercado e dependência de matérias-primas críticas, o que impõe desafios para setores industriais alemães. O discurso de Merz, antes da viagem, enfatizou a necessidade de evitar o desligamento econômico de Pequim, mantendo portas abertas para cooperação, mas sem abrir mão de regras e reciprocidade.
Agenda e possíveis desdobramentos
Entre os tópicos pendentes estão a sobrapacidade produtiva da China, restrições à exportação e distorções competitivas em alguns setores. A visita ocorre em um momento em que outros líderes ocidentais já realizaram encontros com autoridades chinesas, com mensagens de cautela e interesse em manter alinhamentos estratégicos sem abrir mão de interesses nacionais.
A repercussão diplomática da viagem pode sinalizar o tom das próximas negociações entre Berlín e Pequim, especialmente em temas como indústria automotiva, tecnologia e cadeia de suprimentos. Pequim, por sua vez, busca reduzir tensões com a União Europeia e manter o fluxo de investimentos e comércio com a Alemanha.
Panorama regional
A viagem de Merz se soma à tendência de líderes ocidentais de buscar canais de diálogo com a China, em meio a um cenário de reequilíbrio econômico global. A China continua operando em um ambiente internacional em transformação, com consequências diretas para mercados e políticas públicas na Europa.
O chanceler alemão já sinalizava, antes da partida, a importância de reconhecer o papel da China no cenário global. A reunião com Li Qiang e o encontro com Xi Jinping podem estabelecer o tom das relações germano-chinesas nos próximos meses, sem preconceitos nem compromissos pré-definidos.
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