- O governo dos Estados Unidos nomeou Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado e crítico de direita, para um cargo sênior que supervisiona a política sobre o Brasil.
- Beattie atua como secretário assistente interino de assuntos educacionais e culturais e passa a exercer um papel de assessor sênior de política brasileira.
- A nomeação foi confirmada por uma autoridade do Departamento de Estado e ocorre em meio a uma relação diplomática delicada entre os dois países.
- Beattie ficou no centro de controvérsia após descrever o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como líder de censura em uma postagem, o que levou a uma convocação da embaixada brasileira.
- As relações Brasil–EUA já haviam passado por sanções e tarifas, mas houve aproximação parcial, com Lula devendo visitar Washington em março para tratar de questões bilaterais.
O governo dos Estados Unidos designou um oficial de linhas conservadoras para atuar no Brasil, posição que moldará a política americana no país sul-americano. A nomeação indica que as relações entre as duas maiores democracias das Américas continuam sensíveis, mesmo após um recente gesto de aproximação.
Darren Beattie, atualmente secretário assistente interino de Estado para assuntos educacionais e culturais, foi indicado para um cargo sênior que supervisiona a política sobre o Brasil, segundo três fontes que pediram anonimato. A confirmação veio de um alto funcionário do Departamento de Estado, que informou que Beattie atua como Assessor Sênior de Política para o Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu de imediato. Em 2018, Beattie foi demitido como redator de discursos da Casa Branca por participar de um evento frequentado por nacionalistas brancos, episódio que gerou repercussão diplomática ao criticar um ministro brasileiro, e transformou-se em ponto de tensão entre os dois países.
A crítica de Beattie a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, em publicação na rede social X em agosto gerou controvérsia e levou o Itamaraty a convocar o então representante americano em Brasília para prestar explicações. Moraes esteve à frente de casos envolvendo Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e atualmente cumprindo pena.
Em julho, Washington impôs sanções a Moraes, sob alegação de autorizar detenções pré-trial arbitrárias e de coibir a liberdade de expressão, atuação ligada a investigações de ações que antecederam a tentativa de golpe de 2022. Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente Beattie pelo que chamou de apoio.
Relações bilaterais e impactos
Durante 2020-2021 as relações entre EUA e Brasil passaram por momentos de esfriamento, com tarifas e restrições. Posteriormente, houve distensão, incluindo redução de tarifas sobre alguns produtos brasileiros e suspensão de sanções a Moraes, com sinais de alinhamento entre as administrações.
O próximo desafio bilateral pode ocorrer com a visita de Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, anunciada para março. Lula tem criticado operações dos EUA na América do Sul, incluindo ações contra Nicolás Maduro e cortes de óleo para Cuba. Beattie também preside o Instituto de Paz dos EUA, instituição apoiada pelo Congresso.
Além disso, Beattie atua como presidente do Instituto dos EUA para a Paz, que recentemente recebeu mudanças de nomenclatura pela administração, ainda em avaliação de aspectos legais. Durante a campanha de 2024, ele sinalizou possibilidades sobre a comunidade de inteligência norte-americana.
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