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Afeganistão e Paquistão: analistas descrevem guerra aberta entre vizinhos

Paquistão lança ataques aéreos em cidades afegãs; Islamabad acusa que insurgentes paquistaneses se refugiam no território vizinho, Kabul nega e sinaliza escalada

Soldados talibanes este viernes junto a la frontera con Pakistán.
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  • Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades afegãs, e o ministro da Defesa já fala em “guerra aberta”.
  • A escalada veio após ataque afegão contra forças fronteiriças paquistanesas, com repetidos confrontos e fechamento de fronteiras.
  • Islamabad acusa o Afeganistão de abrigar o Tehreek-e-Taliban Paquistão e insurgentes baluchis; Kabul nega abrigar combatentes do Estado Islâmico.
  • A fronteira de mais de dois milímetros seiscentos quilômetros, conhecida como Linha Durand, segue disputada entre os dois países.
  • Analistas esperam intensificação militar paquistanesa e possíveis novas incursões afegãs, com diferenças significativas de capacidade entre as forças, incluindo contingentes e equipamentos.

O Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades-chave do Afeganistão, em uma escalada que o país vizinho descreve como uma “guerra aberta”. Os ataques ocorreram nesta sexta-feira, após um ataque afegão contra forças fronteiriças paquistanesas. A ofensiva atingiu bases militares, quartéis e depósitos de armas ao longo da fronteira.

A escalada envolve o Paquistão, com o governo acusando o Afeganistão de abrigar grupos insurgentes que atacam o território paquistanês. Por outro lado, o governo de Kabul nega abrigar organizações que ataquem o Paquistão, embora reconheça a presença de combatentes que operam na região.

A tensão vem de meses de confrontos na fronteira, incluindo ataques contra forças paquistanesas e ataques aéreos no território afegão. Em 2022, segundo monitoramento internacional, houve aumento das ações de insurgentes paquistaneses e balúchis, com negociações mediadas por terceiros tentando manter uma trégua fragilizada.

A origem do conflito está na disputa pela Linha Durand, fronteira histórica que separa áreas étnicas pastunes e hoje é contestada por Kabul. Islamabad sustenta que grupos como Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e insurgentes baluchis utilizam o Afeganistão como base logística e estratégica.

O TTP, criado em 2007, atua no noroeste do Paquistão e já levou a ataques contra mercados, mesquitas e instalações militares. A organização também atuou ao lado de facções talibãs afegãs durante conflitos anteriores e já atraiu operações paquistanesas de combate no território nacional.

Analistas apontam que, no momento, o Paquistão pode intensificar ações militares, enquanto Kabul pode responder com novos ataques transfronteiriços. A diferença de capacidades é significativa: o Paquistão possui dezenas de milhares de militares a mais e maior arsenal, inclusive aviões de combate.

A fronteira entre os dois países, com mais de 2.600 quilômetros, continua sendo o principal ponto de atrito. A região é marcada por disputas étnicas e estratégicas, refletindo interesses divergentes entre Islamabad e Kabul.

Até o momento não há indicações de um cessar-fogo imediato. Observadores ressaltam que a situação pode evoluir com possíveis operações adicionais em ambos os lados e com impactos sobre comércio e circulação na fronteira.

  • A presença de forças paquistanesas em operação ao longo da fronteira permanece confirmada por fontes oficiais.
  • As autoridades afegãs reiteram que não permitem uso de território se devem lançar ataques contra o Paquistão.
  • A comunidade internacional acompanha a evolução dos acontecimentos e incentiva canais de diálogo para reduzir a escalada.

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