- Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades afegãs, e o ministro da Defesa já fala em “guerra aberta”.
- A escalada veio após ataque afegão contra forças fronteiriças paquistanesas, com repetidos confrontos e fechamento de fronteiras.
- Islamabad acusa o Afeganistão de abrigar o Tehreek-e-Taliban Paquistão e insurgentes baluchis; Kabul nega abrigar combatentes do Estado Islâmico.
- A fronteira de mais de dois milímetros seiscentos quilômetros, conhecida como Linha Durand, segue disputada entre os dois países.
- Analistas esperam intensificação militar paquistanesa e possíveis novas incursões afegãs, com diferenças significativas de capacidade entre as forças, incluindo contingentes e equipamentos.
O Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades-chave do Afeganistão, em uma escalada que o país vizinho descreve como uma “guerra aberta”. Os ataques ocorreram nesta sexta-feira, após um ataque afegão contra forças fronteiriças paquistanesas. A ofensiva atingiu bases militares, quartéis e depósitos de armas ao longo da fronteira.
A escalada envolve o Paquistão, com o governo acusando o Afeganistão de abrigar grupos insurgentes que atacam o território paquistanês. Por outro lado, o governo de Kabul nega abrigar organizações que ataquem o Paquistão, embora reconheça a presença de combatentes que operam na região.
A tensão vem de meses de confrontos na fronteira, incluindo ataques contra forças paquistanesas e ataques aéreos no território afegão. Em 2022, segundo monitoramento internacional, houve aumento das ações de insurgentes paquistaneses e balúchis, com negociações mediadas por terceiros tentando manter uma trégua fragilizada.
A origem do conflito está na disputa pela Linha Durand, fronteira histórica que separa áreas étnicas pastunes e hoje é contestada por Kabul. Islamabad sustenta que grupos como Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e insurgentes baluchis utilizam o Afeganistão como base logística e estratégica.
O TTP, criado em 2007, atua no noroeste do Paquistão e já levou a ataques contra mercados, mesquitas e instalações militares. A organização também atuou ao lado de facções talibãs afegãs durante conflitos anteriores e já atraiu operações paquistanesas de combate no território nacional.
Analistas apontam que, no momento, o Paquistão pode intensificar ações militares, enquanto Kabul pode responder com novos ataques transfronteiriços. A diferença de capacidades é significativa: o Paquistão possui dezenas de milhares de militares a mais e maior arsenal, inclusive aviões de combate.
A fronteira entre os dois países, com mais de 2.600 quilômetros, continua sendo o principal ponto de atrito. A região é marcada por disputas étnicas e estratégicas, refletindo interesses divergentes entre Islamabad e Kabul.
Até o momento não há indicações de um cessar-fogo imediato. Observadores ressaltam que a situação pode evoluir com possíveis operações adicionais em ambos os lados e com impactos sobre comércio e circulação na fronteira.
- A presença de forças paquistanesas em operação ao longo da fronteira permanece confirmada por fontes oficiais.
- As autoridades afegãs reiteram que não permitem uso de território se devem lançar ataques contra o Paquistão.
- A comunidade internacional acompanha a evolução dos acontecimentos e incentiva canais de diálogo para reduzir a escalada.
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