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Brasil negocia alimentos e bioenergia com Índia e Coreia do Sul na Ásia

Brasil encerra maior missão à Ásia com Índia e Coreia do Sul, assina 21 acordos e mira ampliar bioenergia, feijão e carne bovina, até US$ 30 bilhões em 2030

Brasil cumpriu uma das maiores missões comerciais à Índia e Coreia do Sul
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  • Missão Brasil-Ásia, com Lula, ocorreu entre 18 e 23 de fevereiro em Nova Déli e Seul, reuniu 12 ministros e cerca de 380 empresários e assinou 21 acordos.
  • Na Índia, o destaque foi a bioenergia: memorando entre UNICA e ISMA para cooperação em etanol, SAF e biogás, com foco em acelerar o uso de biocombustíveis e integrar-se à Global Biofuels Alliance; meta bilateral de elevar o comércio para US$ 30 bilhões até 2030.
  • No setor agrícola brasileiro, houve foco em feijão e segurança alimentar: em 2025 o volume de pulses exportados para a Índia chegou a 300 mil toneladas, com receita de US$ 250 milhões, incluindo acordos sanitários para feijão-guandu.
  • Na Coreia do Sul, avançaram as negociações de carne bovina, com auditoria em plantas brasileiras prevista; também houve progressos para suínos, ovos e manga, com tarifa da manga reduzida para 5% dentro de uma cota de 18,5 mil toneladas.
  • Acordos e perspectivas: retomam negociações do acordo de livre comércio Mercosul–Coreia; Embrapa assinou memorando com a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia; expectativas de ampliar acessos a mercados asiáticos.

A comitiva brasileira, formada por 12 ministros e aproximadamente 380 empresários, concluiu em 23 de fevereiro a maior missão comercial do atual governo à Ásia. A viagem ocorreu entre 18 e 23 de fevereiro, em Nova Déli, na Índia, e Seul, na Coreia do Sul. O objetivo foi ampliar mercados para o agronegócio brasileiro, com foco em bioenergia e proteínas, entre outros produtos.

Organizada pela ApexBrasil, com apoio do Ministério das Relações Exteriores e da CNI, a missão envolveu encontros oficiais, visitas técnicas e assinatura de acordos. O setor Sucroenergético teve destaque na Índia, enquanto a pauta sul-coreana avançou para carne bovina, suínos, ovos, manga e uva. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, participou de todas as etapas.

Os números oficiais apontam para 21 acordos assinados ao longo da viagem, fortalecendo a diversificação de mercados. Entre as metas, está elevar o comércio entre Brasil e Índia, bem como buscar o acesso ao mercado sul-coreano para diversos produtos agrícolas.

Na Índia, bioenergia foi o carro-chefe das negociações. Em Nova Déli, o acordo entre a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Indian Sugar & Bio-Energy Manufacturers Association (ISMA) firmou um Memorando de Entendimento para cooperação técnica, institucional e desenvolvimento de biocombustíveis como etanol, SAF e biogás. A iniciativa apoia a participação conjunta na Global Biofuels Alliance e busca quadruplicar o uso sustentável de biocombustíveis até 2030.

A visão de Evandro Gussi, presidente da UNICA, aponta o aumento da mistura de etanol na gasolina indiana de 2% para 20%. O objetivo é ampliar a previsibilidade de investimentos e fortalecer a integração entre mercados. Em termos regulatórios, o memorando prevê aprofundar a cooperação regulatória entre Brasil e Índia, com base no modelo brasileiro de RenovaBio e RenovaCalc.

A visão de André Rocha, presidente da FIEG, destaca que a cooperação em bioenergia tem quase uma década de história. Ele ressalta que o acordo atual aponta espaço para ampliar trocas em energia renovável e biocombustíveis, além de ampliar o fluxo comercial além do atual patamar de 15 bilhões de dólares. A agenda bilateral também reforçou o Acordo de Preferências Comerciais com o Mercosul.

Na Coreia do Sul, a carne bovina foi o tema mais aguardado. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, confirmou auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras, etapa que antecede o protocolo sanitário para exportação. Uma missão técnica de auditores visitará o Brasil no terceiro trimestre de 2026, para avançar o processo.

O ministro da Agricultura avaliou o encontro como um golaço, destacando o potencial de competitividade entre o Brasil e a Coreia. Analistas apontam que, após a conclusão da auditoria, o produto brasileiro pode competir a preços até 30% menores que o norte-americano, o que abriria espaço para volumes expressivos.

Além da carne bovina, houve avanços em suínos, ovos, manga e uva. Todas as plantas de produtores com status sanitário reconhecido pela OIE passam a poder ser avaliadas pela Coreia, ampliando a gama de exportações suinícolas. No segmento de ovos, a Coreia confirmou recebimento da documentação sanitária e a emissão do certificado deve ocorrer nos próximos dias.

Na fruticultura, a manga recebeu destaque com redução de tarifas, indo de até 30% para 5% dentro de uma cota de 18,5 mil toneladas no primeiro semestre. A uva deverá passar por auditoria técnica em setembro de 2026, com possibilidade de abertura do mercado ainda neste ano, se concluída com sucesso. A Abrafrutas destacou a competitividade da manga brasileira.

Entre os acordos formais assinados na Coreia, houve foco em segurança alimentar, tecnologias agroindustriais e desenvolvimento rural sustentável. Um memorando prevê intercâmbio técnico em ciência, tecnologia, agricultura digital, infraestrutura agrícola e harmonização de normas sanitárias, com a criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil–Coreia. A Embrapa também firmou acordo com a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia do Sul.

Ao fim da missão, Lula sinalizou que as negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e Coreia do Sul podem avançar ainda neste ano. No contexto do agronegócio, o comércio com a Ásia atingiu quase metade do total brasileiro em 2025, fortalecendo o peso do continente nas exportações.

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