- Abdullah Öcalan, líder e fundador do PKK, pediu democratização da Turquia para fortalecer o processo de paz e abrir uma nova fase construtiva.
- Em mensagem lida em Ankara, no aniversário da ordem de dissolução e desarme do PKK, Öcalan enfatizou uma “integración democrática” sem políticas de assimilação.
- O texto defende reconhecer identidades kurda e de outras minorias, direitos culturais e linguísticos, liberdade religiosa e fortalecimento dos governos municipais.
- O documento também requer separação de poderes e garantias legais, mantendo tom cauteloso para não antagonizar Erdogan ou o nacionalismo turco.
- Ocalan pediu ainda que o governo turco proponha uma rota política concreta; o PKK já aprovou sua dissolução e iniciou o desarme, conforme divulgado recentemente.
O líder ideológico Abdullah Öcalan pediu reformas democráticas em Türkiye para fortalecer o processo de paz com o governo turco. A mensagem, lida por uma parlamentar curda em Ankara, chega exatamente um ano após Öcalan ordenar a dissolução e o desarmamento do PKK, considerado grupo terrorista pela Turquia, EUA e UE.
Öcalan, preso em Imrali, ressaltou a necessidade de uma “integração democrática” entre turcos e curdos. Segundo ele, a relação entre as comunidades é histórica e deve se apoiar em um Estado democrático, sem políticas de assimilação ou violência de qualquer lado.
O texto não apresenta demandas específicas e evita confrontos com o presidente Recep Tayyip Erdogan, buscando manter abertura ao nacionalismo turco. Ainda assim, reforça o reconhecimento de identidades e direitos culturais, bem como garantias legais para fortalecer a confiança.
Para a líder do DEM, Tülay Hatimogullari, o PKK já cumpriu sua parte com a dissolução aprovada em maio e o início do desarme em julho. Agora, afirmam, a responsabilidade recai sobre o Estado e o governo turco para traçar uma rota e adotar medidas confiáveis.
Entre os pontos defendidos estão o reconhecimento da identidade curda e de outras minorias, direitos culturais e linguísticos, liberdade religiosa, fortalecimento de governos municipais e a separação de poderes, para evitar concentrações excessivas no Executivo.
O DEM votou a favor de um relatório parlamentar sobre o processo de paz, que não aborda questões como língua kurda, pessoas desaparecidas no conflito ou libertação de presos políticos. Ainda assim, há espaço para avanços conforme decisões do TEDH são observadas.
A negociação enfrenta o desafio de resistências dentro do espectro nacionalista turco. Líderes de oposição e de partidos nacionalistas criticam a ideia de conversar com o PKK, ressaltando que é preciso preservar a segurança do país.
Entre os fatores que podem influenciar o diálogo, a ofensiva síria recente e acordos para a integração de milícias YPG reduziriam o impacto do PKK no terreno. Analistas veem, porém, que a situação continua sensível para o calendário político turco.
Especialistas destacam que o processo depende de passos claros do governo para transformar promessas em políticas públicas, com prazos verificáveis e participação das comunidades afetadas, sob fiscalização internacional.
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