- O ministro de Exteriores chinês, Wang Yi, pediu o “cesse imediato” das ações militares contra o Irã em conversa com o ministro russo, Serguéi Lavrov, para evitar escalada.
- Wang afirmou que ataques a um Estado soberano sem autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas fragilizam a paz e o direito internacional.
- A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, reiterou a profunda preocupação da China e a preferência pelo diálogo e pela via diplomática para reduzir hostilidades.
- Pequim e Moscou mantêm relação próxima com Teerã e participaram, no fim de semana, de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para avaliar a situação.
- A China ressalta a necessidade de moderação no Golfo e da retomada de negociações, associando a cooperação internacional à busca pela paz.
O Ministério das Relações Exteriores da China pediu o cesse imediato dos ataques contra Irã, realizados por Estados Unidos e Israel. Wang Yi manifestou a posição durante ligação com o ministro russo Sergei Lavrov, no domingo, usando tom de preocupação.
Segundo o comunicado oficial, a China considera ações militares contra um Estado soberano sem a autorização da ONU inaceitáveis e ameaça a paz mundial. O país defende que a comunidade internacional não retroceda à “lei da selva”.
Mao Ning, porta-voz de Relações Exteriores, reforçou a necessidade de diálogo e diplomacia para evitar o agravamento do conflito e pediu distensão entre as partes. O Ministério chinês também condenou a ofensiva no domingo, em nota separada.
Contexto diplomático
Pekín e Moscou mantêm estreita colaboração com Teerã, inclusive em áreas militares e econômicas. Nesta semana, China, Rússia e outros países pediram uma sessão emergencial do Conselho de Segurança da ONU para avaliar a situação.
Wang insistiu que o respeito aos objetivos da Carta das Nações Unidas é fundamental e que o uso da força não deve ocorrer no âmbito das relações internacionais. O ministro chinês alertou que a escalada pode colocar a região em risco.
A conversa entre Wang e Lavrov coincidiu com avanços diplomáticos relatados sobre negociações entre Irã e EUA e com a proximidade de um encontro entre Xi Jinping e Joe Biden em Pequim, no fim de março, tema que pode entrar na agenda.
Implicações regionais
Analistas apontam que, além do uso de petróleo como elemento estratégico, a China tem atuado para manter vias de diálogo entre as partes e evitar um confronto regional prolongado. O papel chinês é visto como veículo de estabilidade.
Fontes próximas ao governo russo indicam alinhamento com a mensagem de China e apoio à coordenação entre as duas potências para reforçar canais diplomáticos na ONU e na SCO (Organização de Cooperação de Shanghai).
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