- Nos últimos dias, ataques entre EUA e Israel contra o Irã geraram retaliação que atingiu bases na região, elevando o temor de interrupção no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
- Na manhã desta segunda-feira, o petróleo subiu próximo de oito por cento, com o Brent chegando a cerca de US$ 82,37 o barril e o WTI a US$ 75,33 o barril.
- Ormuz é a principal rota de saída do Golfo Pérsico para exportadores da região, incluindo Iraque, Kuwait e Catar; cerca de 21 milhões de barris diários passam pelo estreito, além de parte do gás natural liquefeito mundial.
- A OPEP+ anunciou aumento de produção de 206 mil barris por dia para mitigar choques de oferta, mas economistas avaliam que o impacto nos preços pode continuar caso a situação se prolongue.
- Analistas apontam que a incerteza tende a prejudicar ativos de risco e pode influenciar expectativas de juros, com possíveis efeitos sobre o dólar e políticas de bancos centrais; a China depende do Irã para parte de suas importações de petróleo.
O preço do petróleo subiu nesta segunda-feira, com altas de até 13%, depois de ataques retaliatórios entre Estados Unidos, Israel e Irã que interromperam o transporte no Estreito de Ormuz. A escalada ocorreu após ações no fim de semana, quando EUA e Israel atacaram o Irã, e o Irã respondeu com mísseis contra Israel e bases como os Emirados Árabes Unidos.
O estreito de Ormuz, passagem crítica para o petróleo do Golfo Pérsico, ficou no centro do impacto. Exportadores como Iraque, Kuwait e Catar dependem quase integralmente de rotas via Ormuz, enquanto Arábia Saudita e EUA possuem alguns oleodutos alternativos limitados. Estima-se que a região movimente dezenas de milhões de barris diários.
Andressa Durão, economista do ASA, afirmou que se o bloqueio for breve o efeito tende a se limitar, com embarques antecipados e estoques. Em interrupção prolongada, porém, haveria esgotamento de estoques e queda de oferta global, elevando preços.
A OPEP+ anunciou aumento de produção em 206 mil barris/dia, acima dos 137 mil previstos, para mitigar possíveis choques. Durão ressalta que o esforço pode não conter o impacto imediato nos preços, especialmente diante da incerteza geopolítica.
Analistas destacam que a incerteza tende a reduzir a demanda por ativos de risco. Adam Hetts, da Janus Henderson Investors, aponta que títulos soberanos de mercados desenvolvidos e moedas de refúgio podem se tornar mais atrativos em cenário de volatilidade.
Futuros apontam para alta no Brent, que chegou a US$ 82,37 o barril, e no WTI, com pico próximo de US$ 75,33. Mesmo com o recuo após o fim de semana, os valores permanecem acima de padrões recentes, refletindo tensões no Golfo e preocupações com oferta.
Gargalo de Ormuz já pesou sobre o mercado no passado, com 21 milhões de barris diários passando pela hidrovia, além de um terço do gás natural liquefeito do mundo. A região é vista como o epicentro da vulnerabilidade de suprimento mundial de energia.
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