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Conflito Irã-Israel Pressiona Fertilizantes, Energia e Grãos

Conflito entre Irã e Israel eleva volatilidade de fertilizantes, energia e grãos, pressionando custos logísticos e planejamento do setor no Brasil

Irã e Israel sofrem consequências também no campo
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  • O conflito entre Irã e Israel, potencializado em 2025 e 2026, aumenta a volatilidade de fertilizantes nitrogenados, energia e grãos e eleva custos logísticos para países importadores como o Brasil.
  • O Estreito de Ormuz continua ponto-chave de vulnerabilidade do comércio mundial, e restrições ao tráfego podem elevar o petróleo acima de US$ 100 por barril, impactando diesel, bunker e fretes.
  • A FAO aponta deterioração da produção de cereais na Síria, com volumes em 2025 mais de 60% abaixo da média histórica.
  • No Irã, a produção de cereais em 2025 ficou cerca de 10% abaixo da média dos últimos cinco anos; a inflação de alimentos ficou acima de 70% no fim de 2025.
  • As exportações brasileiras para Irã e Israel somaram US$ 3,44 bilhões em 2024 e US$ 3,40 bilhões em 2025, com aumento de volume, especialmente de cereais, soja e carnes para o Irã e proteína animal para Israel.

A escalada militar entre Irã e Israel, acentuada em 2025 e 2026, começa a afetar cadeias globais de fertilizantes, energia e grãos. Países importadores, incluindo o Brasil, sofrem com maior volatilidade de preços e planejamento mais complexo das safras, diante de riscos logísticos e geopolíticos.

O Estreito de Ormuz, passagem-chave para petróleo e derivados, volta a figurar como vulnerabilidade crítica do comércio mundial. Analistas apontam que restrições severas ao tráfego marítimo podem levar o petróleo a patamares superiores a US$ 100 por barril, com efeitos indiretos sobre diesel, bunker e fretes.

A região também registra impactos humanitários e produtivos. A FAO aponta deterioração na produção de cereais na Síria em 2025, com volumes cerca de 60% abaixo da média histórica, elevando a insegurança alimentar regional.

Irã: retração agrícola e fertilizantes nitrogenados

A FAO, em relatório recente, indica que a produção de cereais do Irã em 2025 ficou aproximadamente 10% abaixo da média dos últimos cinco anos, em meio a secas severas e interrupções no fornecimento de energia para irrigação. No Brasil, a parcela de fertilizantes nitrogenados importados do Oriente Médio permanece significativa.

A inflação de alimentos no Irã atingiu mais de 70% ao ano no fim de 2025, impulsionada pela desvalorização cambial e restrições comerciais. O Banco Mundial projeta contração de cerca de 1,5% na economia iraniana em 2026/27, com impactos na oferta de crédito e investimentos.

O Irã figura entre os principais produtores/exportadores de ureia para a Ásia e a América Latina, com parte do volume transitando próximo ao Ormuz, via rotas que respondem por parte relevante do comércio global de petróleo. A ureia no Oriente Médio, segundo o IMARC Group, era negociada em torno de US$ 0,63 por kg em fevereiro de 2026, em função da volatilidade logística.

O Brasil depende, de forma relevante, de nitrogenados importados do Oriente Médio. A Conab aponta que fertilizantes respondem por cerca de 30% a 40% do custo de culturas como milho e trigo, tornando o custo de insumos sensível às oscilações internacionais.

Israel: gargalos produtivos e dependência externa

Em território israelense, os efeitos se concentram em áreas de fronteira, com danos a granjas de aves e ovos na região norte em 2025, conforme o USDA. A instabilidade nas rotas do Mar Vermelho e do Mediterrâneo eleva frete e seguro, pressionando a inflação de alimentos.

O governo tem buscado ampliar a automação agrícola para enfrentar a escassez de mão de obra, com irrigação de precisão, colheita mecanizada e aplicações de IA integradas a políticas de oferta doméstica.

As exportações do agro do Brasil para Irã e Israel

Dados do Agrostat mostram exportações do agronegócio brasileiro para Irã e Israel somando US$ 3,44 bilhões em 2024 e US$ 3,40 bilhões em 2025, com volume crescendo de 9,74 milhões para 11,97 milhões de toneladas. O Irã continua como principal destino na região, registrando faturamento de US$ 3,10 bilhões em 2024 e US$ 2,92 bilhões em 2025.

No caso iraniano, cereais, farinhas e preparações lideraram a demanda, saltando de US$ 921,05 milhões para US$ 1,98 bilhão, com mais de 9 bilhões de quilos em volume. O complexo soja também se destacou, girando em torno de US$ 745,82 milhões no último ano.

As exportações para Israel cresceram financeiramente no biênio, passando de US$ 334,99 milhões em 2024 para US$ 475,09 milhões em 2025, com a proteína animal impulsionando o segmento. O setor de carnes alcançou US$ 238,82 milhões em 2025, contra US$ 173,22 milhões em 2024.

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