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Os proxies do Irã atuam por conta própria por ora

Apesar da retórica iraniana, milícias locais permanecem em silêncio, limitadas pela política interna e pela capacidade, sinalizando resposta contida

Flags of Yemen, Palestine, Lebanese armed movement Hezbollah, Iraq, Iraqi Hashed Shaabi (Popular Mobilisation Forces or PMF) paramilitary forces, and Iran are raised during a denouncing Israel and in solidarity with Palestinians in the Huthi-controlled capital Sanaa on January 3, 2025.
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  • Grupos apoiados pelo Irã, como Hezbollah no Líbano, organizações em Iraque e Houthis no Iêmen, têm se mantido em maioria quietos diante do conflito com Israel e os EUA.
  • Hezbollah lançou ataques com rockets após o assassinato do líder supremo iraniano, porém o combate subsequente provocou resposta militar de Israel e gerou pressões políticas locais.
  • No Iraque, facções do PMF, incluindo Kataib Hezbollah, dizem estar prontas para defender o Irã, mas enfrentam divisões internas e pressões do governo iraquiano.
  • Os Houthis sinalizaram intenção de retomar ataques a navios no Mar Vermelho, mas não houve escalada significativa até o momento.
  • Especialistas destacam que, apesar da retórica, as capacidades e orçamento dos grupos são limitados frente a EUA e Israel, e muitos fatores internos pesam na decisão de agir.

O conflito envolvendo o Irã mantém as milícias alinhadas, mas silenciosas até o momento. Segundo análises, a ideia de uma guerra de mudança de regime faria explode as forças ligadas ao Irã no Líbano, Iraque e além. As próprias milícias reforçam esse receio.

Antes dos ataques recentes de Israel e dos EUA, o Hezbollah afirmou que a morte do líder iraniano, Ayatollah Khamenei, seria uma linha vermelha. O grupo lançou foguetes contra Israel, provocando resposta militar em território libanês.

Duas facções iraquianas apoiadas pelo Irã sinalizaram defesa do Irã, com uma descrita como “sagrada”. Lideranças do Houthi indicaram à AP que voltariam a atacar navios no Mar Vermelho. A quietude, porém, não é garantia de ausência de ação futura.

Contexto regional

A relação entre as milícias e o governo iraniano é marcada por planejamento estratégico e limitações logísticas. As capacidades comparadas aos arsenais dos EUA e de Israel permanecem desiguais, o que pode explicar a ênfase em ataques contidos ou apenas retóricos.

Analistas ouvidos pela imprensa destacam que Hezbollah, antes visto como pilar de defesa contra ataques ocidentais, viu sua capacidade reduzir ao longo dos anos. A veracidade de ações de grande escala permanece incerta.

Eran Lerman, ex-assessor de Segurança de Israel, afirmou que o grupo ainda possui um arsenal, mas seu uso envolve alto custo. Segundo ele, Israel pode responder com penetraçar intensa de inteligência e ações limitadas, inclusive com incursões terrestres se necessário.

Dinâmica no Líbano e no Iraque

Nawaf Salam, primeiro-ministro do Líbano, pediu que Hezbollah evite envolvimento direto no conflito. A pressão doméstica que enfrenta o país, somada à reconstrução econômica, reduz o espaço para escaladas que agravem a crise interna.

Em relatório, analistas destacam que as milícias iraquianas não formam uma única linha de comando. Grupos como Kataib Hezbollah e Harakat al-Nujaba são vistas como os mais alinhados com o IRGC, com maior probabilidade de resposta, versus facções mais integradas ao Estado iraquiano.

Revkin, especialista em Iraque, aponta que as facções dispõem de drones, foguetes e capacidade de atuar além das fronteiras. Ainda assim, o custo político interno pode frear ações de grande escala, segundo a pesquisadora.

Houthis e cenário marítimo

Os Houthis no Iêmen já atingiram instalações petrolíferas sauditas no passado e representam risco a rotas no Golfo. A MSC solicitou aos seus navios no Golfo abrigo seguro como precaução, para evitar impactos nos custos globais de energia.

Apesar de manterem certa autonomia, os Houthis reduziram dependência de fornecimento externo desde a aquisição de capacidades locais para fabricar armas. Isso pode influenciar sua participação em ações no atual conflito.

Perspectivas para o desfecho

Ainda é cedo para prever reações definitivas das milícias. Há receio de que o Irã utilize proxies para sufocar protestos domésticos ou para ampliar a pressão regional se sentir ameaçado.

Alguns estudos sugerem que os grupos podem permanecer suspensos para preservar a estabilidade interna de seus países, enquanto outros indicam a possibilidade de mobilização caso o regime iraniano precise defender sua sobrevivência ou atacar ativos norte-americanos na região.

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